A Fábula do Marimbondo

terça-feira, 22 de julho de 2014

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Sempre tive medo de marimbondo.
Desde pequeno.
Uma vez em que brincava com meu primo lavando o quintal.
Ouvi aquele zumbido alto,
um som que não parecia vir de asas,
Mas feito, quem sabe, por uma boca.
A coisinha veio, atrevida, 
Voando perto do meu rosto.
Por reflexo,
e um tanto de ingenuidade eu dei um tapa.
O tempo parou.
Desviado de sua rota,
a criatura fora empurrada pouco mais de um metro.
O marimbondo, arisco, sentiu-se profundamente ofendido.
Sei lá eu por que cargas d’água procuram água,
Não fiz por mal.
Ele veio, eu o ofendi, e apesar de pequeno
(quem sabe até por esta razão)
Ele pareceu ficar transtornado.
Veio diretamente em meu rosto,
E desta vez não por um passeio distraído.
Por ira!
Ai de mim.
Meu coração acelerou.
Eu devia ter por volta de onze anos,
e percebi algo notável:
O marimbondo, tomado por raiva, parecia três, quatro vezes maior
Novamente, e desta vez não por reflexo, mas por medo,
Dei outro tapa.
A criatura voltou furiosa em outra investida,
levou outro tapa,
E então me despistou.
Passou por entre as minhas pernas e posou em minha cabeça.
Sua raiva fora então descarregada em uma ferroada rápida e certeira.
Dedicado a penetrar seu pequeno e poderoso ferrão em minha pele,
Distraiu-se, pobrezinho.
Eu dei outro tapa.
Desta vez ele estava fraco.
Derrubei-o. Caiu no chão. Eu pisei.

Não uma pisada violenta e brutal,
Mas a pisada frágil típica de uma criança assustada.
E ele,
com seu traseiro imenso esmagado, 
agonizava.
Encarei a pequena criatura.
Teria sido o tapa o motivo de sua ira?
Teria o marimbondo,
Quem sabe?,
já saído de sua colmeia
a procura de um confronto que pudesse lhe dar fim à vida?
Teria esta batalha sido o grande momento de sua breve existência?
As asinhas batiam assustadas quando,
Por compaixão,
O esmaguei.
O marimbondo morreu,
E eu acredito,
Sabendo que havia deixado na minha pele um ferrão,

E na minha história este breve incidente.

A lenda do velho que ria, Parte 3

sábado, 3 de maio de 2014

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Arte de Tácio Melo Maciel
Era apenas terça-feira para a maioria das pessoas, exceto para senhor Polidoro que, com seus 93 anos, perdera sua esposa para um assaltante violento, que a baleara, e naquela tarde, ela fora enterrada. Sem que tivessem tido filhos, ele sentia mágoa, ódio, e não conseguia dormir.

Era doloroso que tenham tentado ter filhos por tantas vezes sem nunca terem tido sucesso. Agora, no fim da vida, ele olhava para trás e podia reconhecer: toda aquela história de amor de repente deixaria de existir quando ele morresse. Ele era a única testemunha viva daquela aventura particular entre ele e Emerenciana, sua falecida esposa.

Mas evidentemente que esta história de amor era seu ponto de vista sobre 68 anos de um casamento de sucessivas brigas, em que ele a traira por diversas vezes. Ela, Polidoro tinha certeza, sabia de seus deslizes e o perdoara. Em parte porque era seu dever de mulher, mas também porque lhe admirava. Ele era quase um pai para ela.

Tinham raiva dos amigos e irmãos que tiveram filhos e inevitavelmente, sua inveja, visível por todos, os fizera afastar das pessoas. E agora, não tinha ninguém. Poderia de repente, solitário, se reaproximar daqueles que rejeitara. Mas eles o estranhariam, e ele não iria gostar de saber que no final das contas ele precisaria daqueles a quem tanto rejeitou.

Frustrado, sentindo-se humilhado pela própria desgraça, levantou no meio da noite, e pôs-se a andar.

Desejara aquela bênção que era morrer. Já ouvira tantas histórias de que casais unidos pelo amor sobrevivente, quando separados pela morte na velhice, com ligeiro atraso, a própria morte tratava de uní-los novamente. Desejara isto, e rezava para que Deus o retribuísse os anos de comunhão dominical com este advento. Mas Deus não gostava dele. Deus era o pai de todos os outros, o pai daqueles que ele julgou errado por toda a vida e que agora, teria de procurar para curar-se da solidão. Deus era um patife miserável como todos eles. Não era misericordioso, era irônico e sagaz. Era como Polidoro pensava enquanto andava pelas ruas do centro, com o coração amargurado, pulsando ódio do mundo e pena de si mesmo.

Polidoro se sentou na calçada, na Avenida São João, em frente ao número 615 e chorou. Porque Emerenciana tinha de morrer primeiro? Existem mais viúvas que viúvos no mundo, talvez porque as mulheres sejam mais dispostas a viver com sofrimento, talvez já sejam solitárias no matrimônio. Foi então que, no meio da madrugada, algo terrível aconteceu.

Como se do meio do ar se abrisse uma cortina invisível, entre os véus transparentes surgiram um ser pálido, de pele lisa como a cera de uma vela. Era um homem jovem. Ele se apresentou para Polidoro. Era aquele de muitos nomes e muitas caras, e que poderia oferecer a Polidoro um desejo, contanto que não fosse a morte, e Polidoro, em troca, lhe daria sua mortalidade. Polidoro sentiu-se tentado, e negou-o. Mas a criatura branca dissera-lhe o que ele gostaria de ouvir: que melhor maneira de debochar de Deus, que segundo seu entendimento, só lhe causara sofrimento injustificável, do que interferir nos processos do homem, sua criatura?

Polidoro se esforçou para levantar da sarjeta, para então ajoelhar-se diante da criatura maliciosa, e então desejou reencontrar Emerenciana, no esplendor em que ela estaria em sua existência na eternidade. E viu.

Em uma terra de trevas, lama e lamentação, ela estava, com as mesmas vestes que vestia quando fora baleada. Suja, gritando e espraguejando, tal qual estava ele em vida. Sentia ódio dele, ódio pelos anos que passou ao lado dele, engolindo as traições, o ressentimento, os achincalhes e o comodismo que a fizeram viver uma existência servil e rancorosa. Sentia ódio de Polidoro, de Deus, e pena de si mesma.

A criatura começou a dar gargalhadas. A pele de Polidoro começou a tornar-se branca e lisa como a da criatura de muitos nomes enquanto ela ganhava a forma do corpo de Polidoro, dando gargalhadas de incomensurável prazer ao contemplar a desgraça do velho.

Sob a forma de Polidoro, a criatura riu até que o coração do corpo parasse e ela morresse. Polidoro, tomado por ódio, percebeu a ironia, e gritou. Sua boca tornara-se uma coisa medonha, rangando até o fim dos maxilares, com dentes compridos, finos, e brilhantes feito agulhas.

Polidoro se tornou uma criatura medonha, errante, com um propósito real desconhecido, a perambular aquele mesmo lugar por anos e anos. E a família enterrou o corpo da criatura pensando ser Polidoro, com a idéia de que o amor teria unido aqueles dois velhinhos na eternidade.

Continua...

DEIXE UM COMENTÁRIO. EU ESTAVA NA DÚVIDA SE REVELAVA A ORIGEM DELE OU NÃO, ENTÃO, QUEM LEU OS OUTROS, POR FAVOR, QUERO SABER O QUE ACHOU. :)

A lenda do velho que ria, Parte 1

A lenda do velho que ria, Parte 2

Ensaio sobre as trevas dos que não dormiram

sábado, 1 de fevereiro de 2014

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          Uma amiga minha, que apresentarei como Susana, certa vez havia acabado de se formar e buscava seu primeiro emprego. Recebera uma ligação de um escritório de contabilidade, no número 225 da Avenida Nove de Julho. Era um prédio amarelo e feio, do qual ela até então nunca tinha ouvido falar.

          Susana não tinha religião. Apesar de ter sido batizada quando nascido, achava que Deus era um Saci Pererê universal. Uma lenda comum que justificava subjetividades incompreendidas pelo ser humano em toda a parte do mundo, e apenas isto.

          Parou seu carro no estacionamento, e colocou para fora do carro primeiro seu pé direito. Queria que sua vida profissional começasse do jeito certo. Uma superstição idiota para alguém que não acredita em nada(ou que quer acreditar que não acredita). Fizera sua entrevista.

          “Espero que não se incomode com o lugar...” seu futuro chefe dissera, e ela riu. Disse que tivera uma ótima impressão. Isto o deixara feliz, pois tinha dificuldades em conseguir funcionários.

          Susana começou na segunda feira seguinte. Tinha que conhecer o que havia dos principais clientes, e sua tarefa se estenderia para além do período normal de expediente. O dia correra silencioso, dado à quantidade de documentos que deveria tomar conhecimento.

          Ela trabalhou até que, por volta das 23:00 horas adormeceu. Dez minutos depois ouviu um som de tambor. Firme e forte. Bum, bum, bum-bum-bum... Ela acordou, e percebeu que aquele som vinha dos andares inferiores. Havia gritos, que pareciam ritos festivos. Tinha alegria.

          Bum, bum, bum-bum-bum. Ela começou a descer pelas escadas de emergência quando abriu a última porta e deparou-se com uma fogueira, muitos homens rindo, havia realmente uma festa. Havia um pelourinho, com um homem negro preso a ele, gritando de terror, conforme lhe davam pancadas com uma barra de ferro. O chão era de terra, quem diria, e manchado de carmim, sob a cabeça de um outro negro que, ainda vivo, tremia o corpo em grunhidos. Ela não entendeu o que via.

          Ela estava no ano de 2014, não tinha explicação para aquilo. Ouviu os gritos de uma mulher que era arrastada pelos cabelos. Os homens começaram a violenta-la, enquanto o homem preso assistia e gritava. Susana escondeu-se na saída de emergência por onde havia entrado, mas um negro musculoso, cujo corpo parecia sair do chão a agarrou pelas pernas implorando que ela o ajudasse. Seus olhos estavam furados. Ela correu.

          Mas encontrou no mesmo corredor por onde viera, um homem, branco, jovem, bonito, com bigodes, que estava acorrentado à uma parede. “Me solte”, ele dizia. Ela mexeu nas correntes. Perguntou-lhe o que estava acontecendo. Ele disse que o lugar era atormentado, que precisava fugir. Então chegaram as três mulheres ensanguentadas, que tentaram despir Susana.

          Susana desvencilhou-se e desatinou a subir as escadas. As paredes começaram a descascar, e ela começou a sentir cheiro de carne queimada, e então gritos. Ela abriu a porta do corredor do andar em que trabalhava, mas ouviu gemidos, gritos, grunhidos, sussurros e outros sons aterrorizantes. Havia fogo, e pessoas derretidas que caminhavam em sua direção. Ela se trancou no escritório, mas as pessoas batiam nas portas, e gritavam.

          O fogo entrou no escritório, e ela abriu saltou para a pequena sacada do prédio. A fumaça vinha de todos os lados, e as pessoas haviam derrubado a porta do escritório, e corriam em direção à porta de vidro, com os braços esticados implorando por ajuda. Susana, sentindo que o calor já fazia sua pele queimar, sem muito pensar, lançou-se do prédio. Numa imensa altura.
       
          É claro que ela atingiu a rua. E neste momento cujo impacto violento lhe tirara a vida, ela despertou.
Havia baba nos documentos. Recolheu suas coisas e saiu do escritório. Já no corredor, percebera que uma pessoa cruzara o corredor. Uma pessoa transparente, cujos pés não existiam. Ela partiu em silêncio, misturando “Pai nosso” com “Ave Maria”, e desejando não ter vivenciado o horror que testemunhara naqueles breves instantes de um sono de 5 minutos, que havia levado 40 minutos para acabar.
       
          Susana não desistiu do emprego. Ao contrário. Decidiu ajudar quem estava preso naquele lugar. Mas esta é uma outra história.

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FATO CURIOSO: Semana passada eu escrevi um conto para a história do Fantasma da Cantareira, e fiquei contente que, apesar de fazer tempo que não atualizava o blog, em um dia já tinha 100 visitas. Me deixou animado para fazer outra lenda urbana. Acabei escolhendo falar sobre o Edifício Joelma, e quando comecei a fazer pesquisas, descobri queno dia seguinte se celebraria 40 anos deste episódio tão triste. Fiquei inicialmente impressionado com a ideia desta coincidência, e talvez por causa dela, espero que, apesar de retratar o horror das almas que penam, ter respeitado o sofrimento das vítimas e suas famílias, e particularmente a história do solo do lugar, que antes que o prédio fosse erguido(em 1971) já havia abrigado muitas outras tragédias desconhecidas da maioria das pessoas.

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Lenda Urbana: O Fantasma da Cantareira

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

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        Foi no começo da década de 70, quando um homem, cujo nome não me recordo, levou sua noiva para uma trilha na serra da Cantareira e ali a retalhou selvagemente. Após mutilar sua noiva por razões desconhecidas, suicidou-se. Dias depois uma senhora, em suas caminhadas matinais pelas trilhas do parque, teria sido surpreendida com partes de membros humanos pelo mato e chamado a polícia, que prontamente surgiu para investigar o caso.

        Este seria um crime convencional não fosse o rumor de que durante as investigações teriam descoberto que o homem, no momento do assassínio teria mutilado a si mesmo! Sim! Retalhou a mulher e distribuiu seus pedaços pela mata, e teria, inexplicavelmente, feito a mesma coisa consigo próprio. Isto é o que teria acontecido, segundo contam.

        Sim. Teria. Dizem. Contam. Essas coisas... Segundo os rumores acerca desta história pitoresca, o homem teria, como fez com a noiva, retalhado seu próprio corpo com uma peixeira afiada encontrada no local. Cortara partes de seu corpo de maneira grosseira, e espalhado pela floresta.

        Ora, qual o sentido em um ser humano sair cortando vigorosamente partes de seu próprio corpo e largar pela mata em locais distantes entre si? No entanto, esta versão, embora seja pitoresca e questionável, é a versão oficial, encontrada na delegacia da região, nos arquivos de um caso sem solução.

        Mas vem mais coisa por aí: a policia teria encontrado primeiramente as partes do corpo da mulher. Recolheram tudo em um saco, e levaram. Mas houve um incidente...

        Quando os policiais e bombeiros reuniram as partes do corpo do homem, e a colocaram em um saco preto, ele se levantou, como uma visão demoníaca, um monstro ensacado, fedendo a carne podre e pingando vermes. Segurando a peixeira do fatídico crime, ele cortou cabeças e membros de todos que estavam ali presentes e desapareceu.

        Apesar dos rumores, lendas e versões, uma coisa é certa: ninguém nunca mais o viu. Mas há que se pensar: diz-se que ninguém nunca mais o viu, porque decerto,  aqueles que o viram é que nunca mais foram vistos.

O Fantasma da Cantareira é uma lenda urbana criada por mim em 2008, para um video caseiro de humor. A história era essa, mas contada com modos menos cuidadosos. Se tiver curiosidade em assistir ao vídeo, leve em conta a descontração e seja feliz :)  http://alex-pedro.blogspot.com.br/2010/04/o-fantasma-da-cantareira.html

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Bem-Aventurada Maria Leoa

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

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Apresentação para meu curso de teatro. O texto é meu, é como Itaxoxota do Norte, mas Itaxoxota é na Bahia, esta aventura se passa na Paraíba. Espero que gostem. Depois eu coloco o texto integral pra ser lido. Faltou a primeira cena na gravação.

Leitura.

sábado, 17 de agosto de 2013

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Resolvi gravar um trecho inédito de O Menino que não podia morrer. Segue pra vocês.
Espero que curtam.

O milagre de Carlos

quarta-feira, 31 de julho de 2013

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     Carlos Varela, obcecado por mudar de vida, já tinha tentado de um tudo. Desde empregos formais, às mal-faladas pirâmides. Já encheu de hormônio sua horta pra ver se nascia uma abóbora gigante, ou qualquer coisa que fizesse chamar atenção. Mas nada dava certo. Já foi figurante em propaganda na televisão, já foi professor de informática, mas foi quando descobriu o marketing de rede que teve certeza de que sua vida mudaria.

     Era preciso apenas fazer um investimento de 50 mil reais, e seria o pioneiro no Brasil de um negócio vindo da Europa. Mas onde arrumar este dinheiro? Pediu aos amigos que te emprestassem suas poupanças, mas fora em vão. Todos o consideraram louco. Parecia fácil demais ficar rico da noite para o dia, e isso é impossível. Foi então que procurou um traficante de drogas.

     Sim, ele não podia perder esta oportunidade e tinha que arrumar dinheiro em algum lugar. “Manezão” era o dono da enorme favela que avizinhava seu bairro. Manezão arrumou o dinheiro, mas disse que em dois meses ele teria que pagar 80 mil reais. Lógico que Carlos aceitou. Não tinha erro. Ia vender o suco de uma batata que só nascia uma vez por ano no norte do Afeganistão e que, disseram-lhe, curava desde câncer até a própria Aids. Quem não tomaria isso?

     Bom, ninguém tomou.

     Carlos ficou desesperado. Manezão disse que ia “apagar” toda a sua família. Em pânico, ele correu para a igreja rezar. Por mais que fosse protestante, pediu para Santo Expedito, conhecido por solucionar as causas impossíveis, que lhe orientasse. Eis que na saída da igreja ele viu uma loteria. Num impulso de autoconfiança, pegou seus últimos cinco reais e comprou um bilhete. Voltou na igreja.


     “Meu Santo Expedito, se eu ganhar na loteria doo um rim!”, ele disse, com os punhos fechados, espremendo os olhos num ato de profunda devoção.

     Ganhou. 

     Com alguns milhões na conta, Carlos ficou feliz. Pagou suas dívidas, e percebeu que era requisitado. Sabia que as pessoas eram interesseiras, mas gostava de ajudar. Mas gostava de ajudar porque gostava de ser visto como bom, generoso e humilde. Essa fama de humildade e desprendimento o deixava feliz.

     Foram preciso 3 anos para que seu dinheiro acabasse. Teve um câncer em um dos rins. Por descuido ou má vontade, esqueceu-se... Ou não quis mais doar um de seus rins como havia prometido para o santo.

     “Ah, que sofrimento atroz”, dizia ele. Não é fácil ficar rico fácil. Nem é certo dar tudo o que tem por fama de generoso. No final das contas, todos os amigos que surgiram na riqueza tinham sumido. Sem nenhuma expectativa em sua vida, Carlos decidiu escrever uma autobiografia.

     Ela vendeu 250 milhões de cópias no mundo, fora traduzida em 34 idiomas e virou um filme que dirigido por Fernando Meireles. Evidentemente, Carlos ficou rico outra vez. Não mais humilde, mas mais sábio que da outra vez.