O Bem e o Mal

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

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Minha cunhada perguntou a meu irmão se ele conhecia a diferença entre “Mal” e “Mau”. Eis a resposta obtida:
“Mal é o antônimo de Bem e Mau é o antônimo de Bom”.
O bem e o mal são opostos, mas só o são por terem algo em comum. Ambos fazem parte de um mesmo Todo, que, sem qualquer um deles, perde o sentido, a força, e a significância.
A reflexão que farei a seguir é uma muito complexa, que pode ser mal interpretada, mais do que qualquer outra em todo o mundo, pois ela pode contrariar tudo o que pensamos a respeito de tudo, e nos fazer perder a fé. Para tanto, lembro-te que eu acredito em Deus, e sou uma pessoa que tem fé.
Só digo isso para que então não permita que minhas observações a respeito de Bem e Mal não interfiram no seu julgamento a respeito de filosofia de vida, ou doutrina, pois acredito no que vou dizer, e mais do que tudo, acredito em Deus.
O Yin e o yang são dois peixes, um claro e um escuro, que juntos formam um signo sem começo ou fim. Completo, complexo e perfeito. São opostos porque possuem algo em comum um com o outro. Reparem que o olho do branco é preto e o olho do preto é branco. Se fosse diferente, não haveria equilíbrio. Ambos possuem ao outro dentro de si, e separados, não carregam qualquer significado.
Assim acontece com tudo o que é oposto, e tudo o que é oposto funciona da mesma forma. Veja a energia elétrica: Você tem dois fios soltos, e precisa instalar uma tomada. Com um multímetro, você mede a energia e vê que, apesar de estarem separados, a energia percorre pelos fios. Mas se você tocar em um deles, nada vai lhe acontecer. Se tocar no outro, nada vai acontecer. Mas se você tocar nos dois ao mesmo tempo, você tomará um choque, você acenderá uma lâmpada, etc...
Chamamos esse fenômeno de corrente elétrica, e ela só faz essa mágica se você ligar os dois opostos, que recebem os nomes de negativo e positivo. Eu pergunto: qual a diferença entre os dois?
Respondo: São opostos. Opostos de uma mesma coisa. Por tanto, não é que um é bom e o outro é ruim. São opostos, e se qualquer um dos dois estiver sem o outro, não funcionará. Yin e Yang.
É preciso de um adversário para rebater a bola de tênis, ou de uma parede ou chão para que ela quique. Senão não há jogo. Sempre é necessário que haja um oposto para tudo, e enquanto o oposto que houver para tudo o que fizermos for interpretado como algo ruim, algo mau, ou pior, “mal”, viveremos perdidos no meio de um eco, com cérebros vazios.
Uma metáfora interessante a esse respeito está no filme The Matrix: Reloaded. Quando Neo se depara diante do arquiteto(que também é uma metáfora que vale a pena discutir futuramente), o arquiteto revela que a primeira versão da matrix fora programada para que a vida de todos os humanos fosse perfeita, e como ele próprio descrevera, uma obra de arte. Todos os humanos acabaram acordando em pouco tempo, e ele teve que reprogramar o sistema, para que a vida fosse caótica e conturbada, feito a vida que nós vivemos, e então funcionou(isto também é uma alusão há um texto do século dezoito a respeito de sociedades secretas, que valem a pena ser discutidos aqui futuramente).
Se a vida for fácil, não teremos que aprender a resolver os problemas. Por que na Grécia Antiga as pessoas não tinham celular? “Porque não existia” não é a resposta certa. A resposta certa é que na realidade, eles não precisavam. E todas a invenções surgiram sempre de alguma necessidade.
Porque os romanos inventaram o parto cesariano? Porque precisavam. Tudo o que temos hoje são invenções de no máximo até o século dezenove. Tudo o que veio depois foi evolução disso.
Sem as adversidades, sem o “mal”, não buscaríamos um futuro melhor, e a palavra “utopia” não existiria. Jesus Cristo, Buda, Maomé, Moisés, nenhum deles existiria. Na verdade, nem nós mesmos, pois não precisaríamos existir.
Em Harry Potter e a Pedra Filosofal, Voldemort, quando seduz Harry para lhe entregar a famosa pedra, diz o seguinte: “Não há nenhum bem e mal, somente o poder, e aqueles tão fracos para alcança-lo”. Basicamente, Lord Voldemort estava coberto de razão.
Ainda que Dumbledore tivesse mais razão que ele quando enunciava seus discursos sobre o poder do amor, o que Voldemort dissera é que não existe o peixe branco e o preto, mas os dois juntos, e aquelas pessoas que são fracas demais para compreendê-los, e manipulá-los.
Hitler fora um herói dentro de sua própria ideologia. Ele acreditou em um caminho para salvar a humanidade, e foi até o fim dentro deste propósito, assim como Lord Voldemort. Como o algoz de Harry Potter, Hitler acreditava na pureza de sangue, e quis libertar o mundo das raças impuras, ou apenas subjugá-las. Eis a verdade: se ele chegou tão longe, foi porque mereceu.
Infelizmente ninguém compreendeu a verdadeira lição deixada pela Segunda Guerra. Quantos de nós acreditaram ter descoberto uma forma ou uma idéia que pudesse mudar o mundo? Quantos de nós foi até o fim?
Enquanto formos covardes e abrirmos mãos de nossos sonhos, sempre haverão Hitlers que não se acovardarão diante dos obstáculos e irão insistir.
Eu me lembrei agora de algumas frases de Og Mandigo. “o fracasso pode estar em qualquer parte de meu caminho, mas a vitória pode estar depois da próxima curva. Só saberei se continuar”, ou “Porque não atirar minha lança em direção à lua e atingir meramente uma águia, ao invés de atirá-la na direção de uma águia e meramente atingir uma pedra?”.
Poderia ir mais além comparando isso tudo à gravidade que age entre os planetas, o sol e a galáxia, mas isso tomaria muito tempo para dizer o que já está dito: O bem e o mal não existem. São duas forças opostas que se separadas, nenhuma funciona.
Sobre os planetas eu vou guardar para falar sobre algo bem mais interessante.

Om Shanti!

Alex Pedro
Quarta-feira, 02 de setembro de 2009

A Próxima Aventura

domingo, 4 de outubro de 2009

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Segunda-feira, 17 de agosto de 2009, 12 horas e 30 minutos.

Quando era criança, aos doze anos, lembro-me de ter o almoço do dia dez de fevereiro de 1998 interrompido pela chegada abrupta e desolada de minha avó Adelaide, que dizia ter recebido a ligação de um hospital chamando-nos para ver meu avô Antônio.
O dia seguiu normalmente, e eu fui para a escola. No meio da aula de inglês da professora Geovanina a porta se abriu, e Dona Penha, inspetora de alunos, me chamou. Disse que minha outra avó, Angelina, estava lá para me buscar. Fiquei feliz por não ter que ficar até o final do dia na escola.
Quando cheguei em casa ela me disse que meu avô tinha morrido. Não me lembro da sensação, mas me lembro que foi horrível, e que fiquei em silêncio por um segundo antes de traduzir as palavras para entender o que aquilo significava.
Para que eu não ficasse sozinho, ela me levou na casa do meu tio Carlos, e lá estava a cunhada dele, Jacira. Como são todos evangélicos, ela tinha na mão uma bíblia sempre pronta para ser aberta. Ela abriu, da forma mais casual, e eis o que surgiu: Mateus 14:27. Enquanto Jesus caminhava pelas águas, e os apóstolos se assustavam, Jesus Cristo lhes dizia: “Tranqüilizai-vos, sou eu, não tenhais medo”.
Eu acredito que há no mundo muitas coisas que nem todos os livros sagrados de todas as religiões juntos seriam capazes de explicar, tanto quanto tenho certeza de que todos carregam em si uma parte do Todo Inexplicável.
Não era Jesus que trazia meu avô para junto de si, era a lei sagrada que não precisa nem de Deus ou qualquer doutrina para ser explicada: tudo que é vivo morre. Pois vivemos num mundo de matéria. É o único caminho certo que temos.
Quase cinco anos depois que meu avô morreu, foi a vez de meu pai morrer. Alfredo Simões. Ele não era o modelo mais adequado de pai, mas acho que foi perfeito para mim, porque, ainda que eu nunca chegue a lugar algum, foram as adversidades e medos que tive que fizeram-me como sou hoje. E eu não me sinto nem covarde, nem acomodado, nem descrente, ou melhor que ninguém.
Foi a primeira vez que fui a um velório, desde que era muito pequeno. E não derramei sequer uma lágrima por ele. Mas quando vi minha avó Adelaide, mãe dele, chorar, eu pensei e disse à minha mãe que ele teve sorte, pois não viveria sem a mãe dele. E então chorei, pois aquele sim fora um pensamento pesado.
Foi depois de tudo isso que comecei a perceber como a vida tridimensional não combina com o tempo bidimensional, e que logo, nada fazia sentido, para tanto, nada deve ser temido.
Pensei então que nem ele teve sorte, nem minha avó tivera azar. Ele não morreu porque era a hora dele. Mas por problemas de saúde que poderia ter evitado se fosse um homem mais prudente. Assim como vi com muitas pessoas desde então.
Eu percebi que a morte já não me impressionava mais. Não era mais uma sombra desconhecida e temível. Mas uma sombra desconhecida que, já que eu sei que não tenho escolha, espero ser capaz de aceitá-la com boas vindas, para que seja mais fácil. Como professor Dumbledore sabiamente disse, “para a mente bem estruturada a morte é apenas a grande aventura seguinte”, ou “Não há nada a ser temido num cadáver, Harry, assim como não há porquê temer a escuridão. Lord Voldemort, que secretamente teme ambos, discorda.(...) É o desconhecido que nos atemoriza quando lidamos com a morte e o escuro, nada mais que isso.”
Em 2003, alguns meses depois da morte de meu pai, ouvi, num filme, uma música que era a seguinte:

Lay down your sweet and weary head/ Night is falling, you have come to journey's end/ Sleep now and dream of the ones who came before/ They are calling from across a distant shore/ Why do you weep? What are these tears upon your face/ Soon you will see, all of your fears will pass away/ Safe in my arms, you're only sleeping/ What can you see on the horizon? Why do the white gulls call?/ Across the sea a pale moon rises/ The ships have come to carry you home/ And dawn will turn to silver glass/ A light on the water, all souls pass/ Hope fades into the world of night/ Through shadows falling/ Out of memory and time/ Don't say we have come now to the end/ White shore are calling/ You and I will meet again/ And You'll be here in my arms, just sleeping/ What can you see on the horizon? Why do the white gull call?/ Across the sea a pale moon rises/ The ships have come to carry you home/ And all will turn to silver glass/ A light on the water/ Grey ships pass into the west.
Mantenha baixa sua cabeça doce e exausta/ A noite cai, você chegou ao fim da jornada/ Agora durma e sonhe com aqueles que vieram antes/ Eles chamam, de alguma praia distante/ Por que você chora? O que são estas lágrimas em seu rosto?/ Logo você verá, todos seus medos irão passar/ A salvo em meus braços, você apenas apenas dorme/ O que você pode ver no horizonte? Porque as gaivotas brancas cantam?/ Além do mar surge uma lua pálida/ Os barcos vieram para levá-lo para casa/ E a madrugada se tornará um vidro prateado/ Uma luz sobre a água, todas as almas partirão/ A esperança mingua pelo mundo da noite/ Caindo pelas sombras/ Além da memória e do tempo/ Não diga que agora chegamos ao fim/ Ondas brancas nos chamam/ Você e eu nos veremos outra vez/ E você estará aqui em meus braços, apenas dormindo/ O que você pode ver no horizonte? Porque as gaivotas brancas cantam?/ Além do mar surge uma lua pálida/ Os barcos vieram para levá-lo para casa/ E tudo se tornará vidro prateado/ Uma luz sobre a água/ Barcos acinzentados partem para o oeste.

Acho que por hoje é só.
Boa vida, e uma ótima morte a todos nós.
Alex Pedro

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