O ENCONTRO - CENA PARA MEU CURSO DE DRAMATURGIA

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

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LUGAR ALGUM – Pouca luz.
Um homem, em seus quarenta anos, extremamente sujo, está sentado sobre uma pedra que parece um banco. Parece silencioso e contemplativo. Feito estatua a espera de um ultimo golpe da natureza para rompe-la.
Chega-se uma Mulher, quarenta e tantos anos, igualmente suja, o vê.

MULHER: Este banco: Quero-o. Saia agora.

HOMEM: É meu espaço para ver o tempo. Suma, maldita alma penada!

MULHER: Ora, já vago a tempo demais para tolerar tamanha insolência. Você é uma criatura infeliz que não merece nada além de sofrimento e solidão.

HOMEM: E você merece o que? Afeto? Banquetes? O que faz num lugar feito este se tal destino não lhe é merecido?

Olham-se em silencio.

MULHER: Eugéne?

HOMEM: O diabo e seus sortilégios. Quantos anos, eu nem me lembrava que me chamavam dessa forma...

MULHER: Não posso crer que este fora seu destino.

HOMEM: Não fale comigo com intimidade. Sei que quer meu lugar pra se acomodar, demônio sacripanta.

Ela se aproxima dele.

MULHER: Não consegue me reconhecer?

Silêncio.

HOMEM: Hora, nem me lembrava que você tinha existido algum dia. Que surpresa. Estou a anos esbarrando em novos e imortais desafetos. Não esperava encontrá-la. Você eu deixo sentar-se a meu lado.

MULHER: Eu devo estar aqui há uns cinco anos. Nunca tinha encontrado alguém que conhecesse. Pensei que fosse proibido.

HOMEM: Eu já sempre achei que fosse falta de sorte. No mundo sempre existiu mais patifes que outra coisa. Mas me diga Matilda, como anda a vida?

MULHER: Meu nome é Magnólia. Não é Matilda. E minha vida foi uma catástrofe, como sempre. Eu encontrei um noivo, que pouco depois me colocou pra fora de casa. Eu estava grávida. Roubaram-me a criança, e tive que aceitar as condições da vida informal. E você?

HOMEM: Eu vivi bem, como sempre. Marido e pai muito amado. Um chefe respeitado e admirado. Fui enganado, roubaram-me tudo, e eu me matei.

Silêncio.

MULHER: Não pensei que seria diferente disso. Mas devo confessar que não acredito que tenha sido amado por sua esposa e filhos, ou admirado por seus subalternos. Ao contrario. Penso que amava a seu ego, e seu ego lhe retribuía com os prévios elogios cínicos dos que lhe roubaram. Eis o preço, perder a única coisa que realmente prezava. Seu poder.

HOMEM: Você se tornou cruel, Magnólia. Que mal eu lhe fiz?

Silêncio.

MULHER: Meu pai mexia as sobrancelhas desse jeito. Que saudade dele. Eu o odiava. - Me pergunto como você conseguiu morrer e chegar aqui mantendo um anel de ouro no dedo.

Silêncio.

HOMEM: Devo estar aqui, pela minha noção de tempo, há uns 40 anos. Nunca tinha reparado isso. Mas é verdade. Que importância esta aliança tem para fazer parte de mim a ponto de eu trazê-la para este lugar? Não posso pensar em nada.

MULHER: Você amava sua mulher?

HOMEM: No começo. Quando ela era frágil, doce, cheia de curvas. Desejosa. Quando ela não era mãe, mas uma jovem com vergonha de me deixar perceber o quanto se envolvia pelo calor e volume do meu corpo dentro dela. Mas depois ficou gorda. Nunca gostei de mulher gorda. Minha mãe era gorda. Minha mãe dizia que eu era um canalha ordinário. Morreu atropelada por cavalos. Deve ter merecido. E minha esposa, outrora bela, transformou-se num dragão. Uma coisa de aparência rude e modos ofensivos. Feito minha mãe. Via em mim um Deus, sem saber que eu a traia com as jovens mais belas de Paris.

MULHER: Será que não sabia mesmo? Eu sempre soube que você me traia.

Silêncio.

HOMEM: Céus, eu não estava certo. Tivemos um caso!

MULHER: Tivemos um caso?

HOMEM: Sim, tivemos um caso.

Silêncio.

MULHER: Este anel me intriga. Será que ele não está ligado ao motivo que o faz permanecer preso neste lugar sem poder descansar? Porque você está aqui?

HOMEM: Não sei. (tira o anel). Talvez você realmente tenha razão em dizer que eu sou egoísta, pois eu não consigo me lembrar de nada que tenha deixado por acertar.

Ele a entrega o anel.

MULHER: Meu nome está escrito aqui.

HOMEM: (desesperado. Milhões de lembranças lhe vêem a tona) Porque eu iria te pedir em casamento. Porque eu lhe gostava muito, mas Lily me traria mais oportunidades. Então eu apenas lhe entreguei a aliança que seria sua. Com apenas meu nome gravado. Terminei com você. Acabei com tudo. Ela me idolatrava. Você me ofendia. (PAUSA) Eu gostava disso. Sabia que você jamais teria engordado. Sempre soube disso. Isso me mantém aqui, neste lugar, inibido de paz e descanso. Eu fui um monstro com vocês, que ofereceram seus futuros inteiros pra mim. E você, minha querida, o que a mantém neste lugar?

MULHER: Quando terminou comigo, eu estava grávida de você. Meu pai... Arrumou-me um noivo, que descobriu que tudo era uma farsa. Casou-se comigo só para me humilhar e acabar com minha família. Tive de amadurecer na rua, aonde não me restou escolha a não ser vender minha dignidade a quem a quisesse. Numa noite, enquanto quatro homens me possuíam, eu comecei a chorar. Porque naquele momento eu queria estar com meu marido e nosso filho. Mas estes eu jamais saberia onde estavam. Me mataram. - - Você me pergunta o que me mantém presa aqui, eu lhe digo, meu amor. O que me mantém aqui é o fato de que te odiei em cada dia da minha vida, e porque me odiava mais ainda, por saber que eu ainda sonhava estar com você.

A luz sobre eles torna-se forte. Eles viram-se pra se abraçar, mas antes disso, a cena acaba.

Essa História de Amor - Cena 3 - Ato 1

terça-feira, 13 de julho de 2010

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CENA 3 – CENÁRIO: SALA DO APARTAMENTO DE LUIZA.
Luiza está esticada no sofá. Ouvimos uma campainha, ela abre a porta. Entra Tom.
Tom: Nossa, eu sou seu irmão, não precisa desse decote pra abrir a porta pra mim.
Luiza: Ah, seu mala, como está?
Tom: Mal, ter como programa de sábado vir no seu apartamento pra ficar assistindo televisão não é lá grande coisa.
Luiza: Ah, vai, mas a gente tem bastante fofoca pra botar em dia.
Tom: Isso é bem verdade, viu...
Ele se senta no sofá, ela senta-se do outro lado.
Tom: Que é isso, precisa de um decote assim? Qualquer rélez mortal pode ver seus peitos. Que é isso. Se eu fosse mulher e tivesse uns “peitão” assim, eu ia cobrir, e escolher a dedo, bem escolhidinho, pra quem mostrar, pro cara achar que é o evento do ano e se sentir grato.
Luiza: (rindo)É só pra provocar. O evento não deixa de ser menos compensador pelo decote. Se bem que gratidão é uma coisa que realmente falta em homem.
Tom: Ai, Lu, nem me diga isso...
Luiza: Tonzinho... O que aconteceu, Thomas? Aquele Ed, ainda?
Tom: Não é fácil seguir em frente. Quando eu achei que estava aprendendo a renovar o guarda-roupas, vem a pena de jogar fora aquela camiseta velha rasgada, feia. A gente se acostuma com as manchas de gordura e café.
Ouvimos o celular de Luiza tocar.
Luiza: Cláudia? Ai, tá, eu acho que não devo ter encaixado o interfone direito, por isso não ouvi. Meu irmão tá aqui. Vou apertar pra abrir a porta aí embaixo.
Cláudia chega até a porta, deixa a porta aberta, e se senta ao lado do irmão.
Luiza: Ele te procurou?
Tom: Pior, me mandou um mensagem de texto no celular. Dizendo “Espero que esteja bem”.
Luiza: Traduzindo, “Não quero que você me esqueça”.
Tom: É... Basicamente isso.
Cláudia entra.
Cláudia: (gritando, contente)Tonzinho... Que foi que você está com essa cara?
Luiza: Aquele cara, ainda. Deu um pé na bunda dele e ainda manda mensagem de texto.
Cláudia: Puxa. Acho que eu devo ter muita sorte por nunca ter chorado por homem nenhum.
Luiza: É, ah, maninho, eu também não tenho sorte.
Cláudia: Você cale a sua boca! Sua vaca. Sabe o que a cachorra da sua irmã fez? Resumindo a história, ela saiu com um cara, brigou com ele, e eu a chamei para conhecer o melhor amigo do cara com quem tenho saído, e, olha isso, era o mesmo. Aí os dois se conversam, se beijam, ela vai pro banheiro, e depois foge da festa. Mas o que acontece, ela está toda apaixonada, acha ele lindo, maravilhoso. Ele acha ela a maior gostosa, acha que ela é engraçada e inteligente. Se um homem te acha engraçada, inteligente e gostosa, ele só tem que estar apaixonado.
Tom: São os requisitos da mulher perfeita, mas você falou na ordem errada. Gostosa vem sempre na frente. Mas olha, hein, Luiza, eu já te achei mais inteligente. Mas o que você fez, Cláudia?
Cláudia: Falei que ela tinha recebido a ligação de um amigo seu, e que você tinha ido parar num hospital por algum motivo...
Tom: Quer dizer, a Cláudia precisa me matar pra livrar a sua cara? Porque você fugiu?
Luiza: Longa história... Antes de ontem, a gente tinha acordado juntos, e à noite fomos ao cinema, e ele disse, não diretamente, que eu me visto feito uma puta.
Tom: Não que ele estivesse dizendo alguma mentira, mas isso é demais. Mas vocês já tinham conversado com esse tipo de senso de humor antes?
Luiza: É...
Tom: Ai, Luiza, mulher quer ter todos os direitos de homem, até na hora de fazer piada, mas não abre mão de cavalheirismo. Quisera eu alguém pra abrir a porta do carro pra mim. Não iria fazer nenhuma questão de equiparar responsabilidades. O Ed era assim, comigo. O seu problema é que você tem medo de se apaixonar, porque você não é galinha por acaso. Você é galinha porque gosta de ser.
Cláudia ri sem fazer barulho, tapando a boca.
Tom: O tempo que eu levo com um namorado, você passa por pelo menos uns dez diferentes.
Luiza: Dez diferentes? Me fale uma coisa, aquela sua fase de sair pegando todos os go go boys que apareciam pelo caminho já passou?
Tom: (ultrajado)Pro seu governo foram dois. Um que eu não sabia. Eu tava bêbado, e depois descobri que ele era burro, e o outro era “professor de dança”.
Luiza: E estava fazendo o que dançando de sunga na boate?
Tom: Um bico. Tem gente que faz piquete em porta de banco, ele tirava a roupa. Você sabe que eu não sou uma companhia barata de se ter. Mas voltando ao assunto, de qualquer forma, se o cara é gato e está mesmo “Up to it”, baby, pega logo e não deixa pra outra não. Eu sempre acho que encontrei o amor da minha vida. O problema é que eu sempre descubro que só eu estou procurando.
Luiza: Essa palhaça fica me incentivando. Mas eu estou morrendo de medo. E se ele não estiver disposto a me dar a importância que eu sei que posso dar pra ele?
Tom: O pior que pode acontecer é você ter que começar a chorar, quebrar pratos, gritar, botar um cd da Madonna tocando no volume máximo, limpar sua casa inteira e seguir em frente.
Luiza: Você sabe que eu te amo, né?
Tom: As vezes...
Cláudia: Menino, conta direito essa história. Esse cara terminou com você porque? Não é aquele que te levou pra não sei aonde?
Tom: Costa do Sauípe.
Cláudia: Mas como isso aconteceu?
Tom: Assim, ele nunca falou de mim pra ninguém, porque todos os amigos dele são héteros. A família dele, segundo ele, nem imaginam que ele é gay. E aí, entre nós ele me entrega o coração, fora de quatro paredes, ele tem vergonha de mim. É meio humilhante. O pior de tudo é saber que ele realmente me ama.
Luiza: Mas isso é tão difícil assim?
Tom: A gente foi criado pela vó e pelo mundo. Ele é de uma família muito rica. Mas independente de dinheiro, a família se preocupa com o nome. E ele tenta ser um filho que não envergonhe os pais. E os pais preferem assim. Ele coloca a família que não está preocupada se ele está feliz em primeiro lugar, e a família coloca “o que os outros vão pensar deles” em primeiro lugar.
Cláudia: Ele é um sacana.
Tom: Não. É um covarde. Se eu sofro, ele deve sofrer muito mais. Apesar das coisas que ele me disse...
Cláudia: O que ele disse?
Tom: Que não poderíamos nos casar na igreja, que eu não poderia dar filhos pra ele. Desculpas que ele arrumou para dizer pra si mesmo diante de um espelho, para se encorajar a arrumar uma mulher, se casar, ter filhos, ser infeliz, mas merecer o orgulho da família hipócrita, egoísta e cruel que ele tanto preza.
Cláudia: Que coisa. Tem tanto tipo de crise ou questão entre vocês que a gente não consegue imaginar.
Tom: Pois é... Tem coisa que nenhuma mulher é capaz de entender, pois, independente de qualquer coisa, continuamos sendo homens. (para Luiza)Você é mulher, ele é homem. Você gosta de homem, e ele gosta de mulher. Vocês estão interessados um no outro. Irmãzinha, não perca tempo. Eu não perderia. Sempre tento ser feliz. Você nunca tenta. Simplesmente leva a vida no mesmo tom. Sai com vários caras, um mais lindo que o outro. Verdade. Mas nenhum você faz questão de lembrar do nome. No final das contas, você está sempre acompanhada com a mesma pessoa: Ninguém. Quando esse ninguém ganha uma identidade, aí você fica assim, vulnerável. Morrendo de medo. Ainda bem que eu tenho você. Pra eu ver bastante e me lembrar que não quero ficar louca assim.
Cláudia: Não entendo porque tanta gente tem medo de sofrer.
Tom: O que é uma besteira. Eu estou sempre sofrendo as dores de um pé na bunda, mas não desisto, nem de encontrar uma próxima pessoa, nem da recente. Ninguém que já esteve comigo pode dizer que eu tenha desistido. Desistem de mim, o que é pior para o meu coração, mas para minha consciência, honestamente, é um alívio.
Cláudia: Verdade. Uma hora alguém que você ama acaba tomando coragem de lutar por você, ou alguém que pode te fazer feliz acaba percebendo, de longe, quem é você, e o que você quer.
Luiza: E as pessoas persistentes realmente conseguem o que querem: ser muito chatas e pedantes.

Os três riem.

Luiza: Não vou procurá-lo, mas se ele me procurar, prometo que não vou fugir mais.
Tom e Cláudia agarram Luiza.

MEU FILME!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

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SÓ LEIA O RESTO DEPOIS DE VER O FILME, SENÃO VAI ESTRAGAR:


Bom, primeiro de tudo, preciso justificar a falta de ensaios... Minha irmã só tinha lido o roteiro no dia(estava na mão dela há uma semana), e eu fiquei muito puto com isso. Ela chegou do trabalho um dia antes, e esqueceu de colocar pra carregar a bateria da câmera, e eu fiquei muito puto com isso. Ela estava há mais de um mês sem usar a câmera, mas estava com muita memória ocupada, e esqueceu de esvaziar o cartão de memória, e eu fiquei muito puto com isso.

MAAAAAAAAS, tudo bem. Tivemos que lidar com o improviso dela, que foi muito ruim, mas ficou engraçado, porque ela nunca tinha feito nenhum video de nada até então. Ela reinventou a história do Fantasma, e eu não gostei nada disso, mas não tive muita escolha, pois não tinha memória nem bateria pra refazer tudo.

No roteiro, o fantasma matou sua amante, e depois retalhou-se pela serra da cantarreira, deixando espalhados os seus membros. Em uma caminhada, uma pessoa achou um braço, e chamou a polícia. A polícia investigou o lugar, e descobriu que havia dois corpos mutilados pela Serra, e quando juntaram todas as partes do corpo do homem e colocaram dentro deum saco de lixo, ele se levantou, e matou todo mundo. E assim começou a lenda do Fantasma da Cantareira.

E no final descobrimos o propósito(fracassado) da heroína ao fazer seu documentário. Bom, querem saber de mais uma curiosidade? Eu achei que ficou tão interessante(e amador, claro), que eu resolvi mandar junto com uma ficha para incrição do programa, e, pásmem, eles ligaram, mas ela não queria, e não rolou.

Filmamos numas trilhas no Parque do Horto Florestal. A câmera era uma Sony Cybershot Dsc-w55. Editei com o Windows Movie Maker. Usei várias músicas dos jogos da série Silent Hill. Elas aliás foram as grandes estrelas da produção.

Enquanto estive editando, comecei a mudar a ordem das cenas no mato, que, Good Lord, descobri que filmado tudo parce muito mais fechado. Foi extraordinário. Achei engraçado observar as reações de alguns amigos que disseram só não sentir medo por conta da canastrisse, não simplesmente da minha irmã, que com certeza faria coisa muito melhor hoje, mas a minha, a da câmera, e de todo o resto, que apesar de tudo, fizeram parecer engraçado.

Sobre as atuações... Um caso a parte. Teve cenas cortadas. Uma que alias me corta o coração, que é aonde eu mostro uma planta muito comum alí na região, que é o "Pé-de-preservativos". Incrível como tem gente que gosta de brincar no meio do mato, e ainda mais incrível é ver que a pessoa parece fazer questão de deixar rastros. Mas, voltando às atuações. eu compreendo a dificuldad que minha irmã teve em manter-se séria e racional quando vê o Fantasma da Cantareira, brilhantemente interpretado pela minha mãe.

É irresistível não conter a surpresa com o figurino surpreendente que eu e minha mãe desenvolvemos especialmente para o projeto: "Figurino do Fantasma da Cantareira". E devo um agradecimento mais do que especial à minha querida amiga Fernanda, assistente de produção, que segurava a câmera, ou quauqler coisa, enquanto discutiamos sobre como poderiamos resolver este ou aquele problema.

Ninguém morreu dirante a produção deste filme.

QDD: Meroveu conversa com Marcus

segunda-feira, 12 de abril de 2010

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MEROVEU ENTROU NO QUARTO DE LUIZA, E OLHOU PARA O QUADRO. ELA OLHOU EM seus olhos com uma expressão indecifrável. Ele fez-lhe um aceno como quem pede licença. Sentou-se no banco diante da penteadeira com espelho. Pelo reflexo, percebeu que ela o olhava fixamente sem piscar. Desviou-se dos olhos dela e voltou sua atenção para as caixinhas dispostas ali. Segurou uma e a abriu. Era um blush de maquiagem, já muito velho. Passou nele um dedo, e no peito de seu reflexo no espelho, desenhou uma cruz templária.
Ele olhou para os olhos de Luiza por alguns segundos, mas novamente voltou sua atenção à Cruz. Embaixo dela escreveu “Nemo Me Impune Lacessit”. Olhou para sua arte, e então olhou para seu reflexo outra vez, entre seus olhos. Algo aconteceu.
Ao olhar para seus olhos no espelho, percebeu que alguém o via por seus olhos através de seu reflexo. Meroveu sorriu.
- Sentiu minha falta, Marcus?
Meroveu ouviu de dentro de sua mente uma voz cuja freqüência era tão exata que poderia, através do som, formar em sua mente um rosto, que via através de seus próprios olhos dentro do espelho. Era o mesmo rosto que vira tantas vezes em sua vida.
- Nem um pouco. - Marcus respondeu. - Me encontrei com seu embaixador. Devo admitir que sabe escolher bem seus subordinados. Não é uma coisa fácil me encontrar. Como vê, não o subestimo. Mas atemo-nos aos fatos. Você não pode competir com deuses. Não vou convidá-lo para que se junte à irmandade, pois sua existência, mesmo que fosse meramente espiritual, já é uma idéia que incomoda e afronta. Meroveu, meu caro... Você não é tão esperto quanto parece, e sabe que sei disso muito bem. Veja que minha generosidade vai além do que imaginava. Irei lhe contar um segredo, aliás, o maior de todos: Você devia morrer, filho, pois dessa forma seus planos teriam mais chances de sucesso.
Meroveu o olhava para o espelho sem expressão alguma. Sabia que Marcus tinha plena certeza de que era mais poderoso e sábio do que ele. Talvez fosse oportuno ouvir o que lhe dizia com o devido respeito.
- Dessa forma, - Marcus continuou. - você voltaria ao mundo por outra história, quem sabe com outra origem completamente diferente, e continuaria seu objetivo sob outra identidade. Leva sempre muito pouco tempo até a pessoa encontrar o próprio propósito, quando ela o têm, claro. Teria, alfim, o elemento surpresa que poderia nos derrotar.
Meroveu sorriu com quem acaba de receber um bom conselho do melhor amigo.
- Nunca lhe passou a dúvida de que talvez já o tenha feito muitas vezes antes? Que talvez meus planos sejam tão velhos quanto os seus, tão espalhados pelos séculos quanto os seus? Tão escondidos por rostos diferentes quanto os seus?
- Também me passa pela cabeça que você possui um pensamento lógico muito rápido, que é muito inteligente, e que você sabe blefar como poucos.
- Pode ser. Neste momento mergulho na possibilidade de ter acabado de ouvir um blefe muito bem elaborado. Veja, meu caro, no fim de tudo, ainda somos elementos de surpresa.
A inexpressividade de Marcus foi levemente dissipada por um sorriso de canto de boca.
- Então não há negócio, Meroveu de Lorme. Estamos ambos dispostos a pagar para ver. Espero que tenha, ao menos, um quarto da sorte que possuo em meus empreendimentos. Assim seu arrependimento será um pouco menos doloroso.
- Então, pois, que vença o melhor Deus! - Meroveu exclamou debochado, com expressão de fanatismo. Marcus contraiu a testa e cerrou os olhos, ofegou num momento de fúria e depois desapareceu do espelho.
“Filho da puta...”, murmurou Meroveu, em português. Ele se levantou, e direcionou-se para o quadro. Aproximou-se, e olhou para Luiza nos olhos.
- Sacrilégio... - ela murmurou incrédula, mas parecendo conter um certo divertimento. Não disseram nada um para o outro. Embora parecesse que ambos tivessem algo a dizer. Meroveu se virou de costas, e partiu.
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Trecho do meu roteiro de filme sobre as Erínias e o fim do Panteão grego

terça-feira, 23 de março de 2010

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1 EXT. GÔNDOLA NO RIO COCYTOS - NOITE 1

Abrimos a imagem com uma TOCHA sendo acesa, sua luz se DESTACANDO no meio do escuro. Ela está numa GONDOLA com duas pessoas: um homem ENCAPUZADO está em PÉ numa extremidade da gôndola, o outro está SENTADO e ENCOLHIDO. Vemos suas silhuetas cortando um BOSQUE de ÁRVORES SECAS.

Muda a imagem para o bosque. Vemos uma silhueta de HOMEM correr seguida por outras TRÊS, que parecem ser MULHERES. Uma delas carrega uma TOCHA. DESAPARECEM. Ouvimos um GRITO de homem. Um GRITO de MUITA DOR e PÂNICO que CORTA o SILÊNCIO.

A imagem volta para a gôndola, e vemos o olhar de TERROR do homem sentado. Ele é ORESTES, um rapaz de aproximadamente 25 anos. É fantasmagoricamente BRANCO. Está NU e demonstra sentir FRIO.

Vemos a gôndola por trás. Uma BOLA DE FOGO é jogada de um lado do rio para o outro. Ouvimos os gritos de UMA MULHER. OUTRAS MULHERES RIEM. Orestes se assusta.

ORESTES
(A si mesmo)Será isso para sempre?

OUVIMOS uma GARGALHADA ASMÁTICA, e Orestes olha assustado para o gondoleiro. Ouvimos um GEMIDO de SÚPLICA, e Orestes toma outro susto, ao ver uma MÃO BRANCA e PODRE agarrar seu pulso. É um CADÁVER VIVO. Ele se apóia com a outra não no barco e começa a se levantar, parecendo mais aterrorizado que Orestes. Mas leva uma PANCADA do gondoleiro com seu REMO e afunda na água. O gondoleiro ESTICA um braço, e o rapaz vê, ainda distante, a silhueta de TRÊS mulheres na margem do rio.

CORTA PARA:

2 EXT. MARGEM DO RIO COCYTOS - NOITE 2

A gôndola se aproxima das três mulheres: São elas ALECTO, MEGAIRA e TISÍFONE. As três vestem MANTOS NEGROS e bordados. Alecto é magra, branca, cabelos pretos e é INEXPRESSIVA Segura uma TOCHA acesa. Megaira tem pele MORENA, é corpulenta e olha com AFRONTA. Tisífone é LOIRA, BONITA, e olha com DESPREZO Veste-se com uma toga que deixa um de seus seios à mostra. Carrega nas mãos um chicote com ganchos de aço numa extremidade. A gôndola PÁRA e Orestes OLHA para CADA UMA delas com MEDO.

MEGAIRA
(Inquieta)Jovem Orestes parece não ter apreciado a viajem pelo Rio Cocytos.
(CONT.)

ALECTO
Levante-se para que possamos vê-lo.

Orestes se LEVANTA cobrindo seu SEXO. TREME de MEDO. Elas o MEDEM com os OLHOS. Tisífone dirige o olhar para o gondoleiro.

TISÍFONE
Vá, Thanatos. Este jovem é agora nossa responsabilidade. Que Lorde Hades ilumine vosso caminho em vossas gloriosas missões.

Thanatos, o gondoleiro, faz uma REVERÊNCIA às Erínias e DESAPARECE junto com o barco.

MEGAIRA
Ordeno que não se cubra. Ordeno que nos mostre seu corpo. Ele agora nos pertence.

Orestes abre os braços e elas olham pare ele com malícia, prestando atenção em detalhes do corpo dele. Ele age como se estivesse HUMILHADO, olhando somente para o CHÃO.

ALECTO
Nós somos as Erínias. Filhas do pai Urano, nascidas pelas gotas do sangue de sua castração que escorreram por Gaia sob os olhos de Ni.

Megaira se aproxima para acariciar o corpo do rapaz. Ouvimos um GRITO de TORTURA vindo de algum lugar próximo. O rapaz começa a tremer. Elas o CERCAM lentamente.

ALECTO(CONT.)
Somos a justiça sobre os que partiram. Somos as Erínias. Eu sou Alecto.

TISÍFONE
Eu sou Tisífone. Estou aqui para que se lembre que a dor que se causa se paga com ainda mais dor.

Elas o CERCAM lentamente. Megaira arranha as costas de Orestes, que demonstra ainda mais MEDO.

MEGAIRA
Tu vais gostar de mim, Orestes. Me chamo Megaira.

ALECTO
Tu bem sabes porque estás aqui, não sabes, Orestes?

ORESTES
(Murmurando)Eu...

Tisífone dá um TAPA VIOLENTO no rosto de Orestes

TISÍFONE
(Gritando)Cale-se, maldito!

Megaira fica atrás do rapaz e aproxima seu rosto de deu pescoço. Orestes só olha para o chão.

MEGAIRA
(Sussurrando)Que crimes este carneiro assado seria capaz de cometer, Alecto?

ALECTO
Dai-nos um palpite, Tisífone.

Tisífone FAZ UM GESTO com os braços e do ar SURGE caindo nos seus braços o corpo de uma mulher vestida com manto sujo de sangue e um PUNHAL FINCADO NO PEITO.

ALECTO
(Gritando)Matou a própria mãe, este maldito!

Tisífone gira seu chicote e acerta no rosto de no rosto de Orestes. Rasga o rosto do rapaz, que a olha transtornado e começa a correr. Tisífone solta mais corda para o chicote, gira-o e o lança em uma grande distância, grudando e rasgando a pele das costas do rapaz, que detém-se por um instante e volta a correr. As três riem.

Preto Pobre

sexta-feira, 19 de março de 2010

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Estava meio inspirado, ou quem sabe sem inspiração, dependendo do ponto de vista, hahahaha, e escrevi essa musica. Não encontrei ainda uma melodia para ela. Chama-se Preto Pobre.

PRETO POBRE

Preto pobre trabalha todo dia,
Preto pobre não sai mais do lugar

Preto pobre não é protagonista,
preto rico em novela é que não há.

Preto pobre é bahiano, branco ou feio,
preto pobre é quem menos lhe importar.

(REFRÃO)
Preto pobre esquecido,
vota em branco todo dia,
preto pobre, lembra, filho,
pra eles qual é o seu lugar.

Preto pobre sorri de desventura,
preto pobre vive em qualquer lugar.

Preto pobre não fala sete linguas,
Preto pobre não tem segundo grau.

Preto pobre vira presidente,
preto pobre põe tudo no lugar.

(REFRÃO)
Preto pobre, renegado,
tua asa, tão decepada,
preto pobre, ergue a cabeça,
levanta pra trabalhar.

Mas se o preto, que é pobre, pobre preto, ergue a voz,
Eis que toma para si o mundo, ou perde de si o mundo que conhece.

Preto pobre é viado, é sapatão,
preto pobre só é forte em multidão.

Preto pobre é o que apanha por que é mudo,
preto pobre é o que bate porque é surdo,

(REFRÃO)
Preto pobre, meu amigo,
Muda o mundo enquanto é dia,
Noite vem, trás o silêncio,
Pede agora um bom destino.

É isso, quem quiser usar é só pedir e pagar!
Hahahahahahaha
Bom fim de semana à todos.

Essa História de Amor - Cena 4 - Ato 3

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Cena da minha peça "Essa história de amor"

CENA 4 – Uma mesa de bar.
Luiza e Cláudia tomam café.

Cláudia: Só vim porque você insistiu.

Luiza: Tá revoltada?

Cláudia: Tô. O homem da minha vida é gay. Ele me mandou uma mensagem no celular dizendo que quer conversar comigo. Mas eu não quero conversar com ele. Não quero vê-lo nunca mais. Eu acho que vou ligar pr'aquele massagista que ficava dando em cima de mim. Ele vem, faz a massagem, dá em cima de mim. Mas dessa vez eu dô pra ele. Cansei disso, Luiza. Cansei de ser boba. De querer tudo certinho.

Luiza: Não querer tudo certinho, não significa fazer tudo erradinho, Cláudia. Você nunca foi promíscua, nunca foi vadia. Nunca foi de jogar charme pra cima de todo homem. Acho que você já tá um pouco velha pra isso. Mudar nesse aspecto não vai resolver o problema.

Cláudia: E o que resolveria?

Luiza: Entender todos os lados do problema, por exemplo. Esfriar a cabeça, e aceitar que as vezes o medo dos outros nos atinge, nos fere, e que vai de nós mesmos perdoar ou não. Ele não é um canalha. É um homem que tem um medo, e você expôs a maior fraqueza dele, o maior segredo dele na frente do melhor amigo dele. Ridicularizou ele na frente do meu irmão. Ele deve estar se sentindo bem menos homem depois disso.

Cláudia: Tá. Mas eu estou me sentindo bem menos mulher depois disso.

Luiza: Ótimo, assim vai ficar ainda mais fácil entender o lado dele. Você está sentindo dele a mesma rejeição que ele sentiu do mundo a vida inteira.

Cláudia: (triste)Eu só queria que você dissesse que ele é um canalha.

Luiza: Imagine que o meu irmão fosse uma mulher. Teria tido toda essa proporção?

Silêncio.

Luiza: Teria sido assim, tão ultrajante?

Cláudia: Não teria. Mas ele é um homem.

Luiza: Você está decepcionada.

Cláudia: Você não ficaria?

Luiza: Sabe o Horácio e o Gilberto?

Cláudia: Eles são?

Luiza: Eu tinha saído com o Gilberto. Tinha sido a maior loucura. Aí eu sai com o Horácio. Outro maravilhoso. Um dia eu embebedei os dois e levei os dois pra cama, e comecei a propor algumas brincadeiras. Os dois estão juntos até hoje.

Cláudia: Tô chocada!

Luiza: Não fique. Olha, primeiro, aceite que essa rejeição toda vem pela cultura na criação dos filhos. No fundo a gente não tem motivo pra sentir esse preconceito, esse nojo em ver dois homens se beijando.

Cláudia: Eu nunca tinha feito sexo oral. Foi com ele a primeira vez. Eu estava apaixonada por ele. Por ele eu estava mudando um monte de coisas em mim. Eu adoro o cheiro dele. O humor dele. O jeito dele de olhar.

Luiza: Mas ele ama outra pessoa.

Cláudia: É. O seu irmão.

Luiza: Pelo amor de Deus, Cláudia. Amar é querer que a pessoa seja feliz, não é? Foi o que você me disse faz o que, uns dez anos? Se ele é maravilhoso, inteligente, carinhoso, gentil, bonito, ele merece ser feliz, não é?

Cláudia: Merece. Só queria que fosse ao meu lado.

Cláudia toma um pouco de suco.

Cláudia: O parte mais estranha disso é que essa outra pessoa é alguém que eu gosto.

Luiza: É, isso foi um tapa na minha cara, também. Nunca que eu poderia imaginar uma situação como essa. Eu até tento me colocar no seu lugar, mas não consigo.

Cláudia: Mas de qualquer forma, você sempre foi mais ousada e desprendida do que eu. Eu preciso pedir desculpas pro Tom. Eu gosto tanto dele, não acredito que fiz isso. Será que ele está com raiva de mim?

Luiza: Está decepcionado. Mas meu irmão nunca foi uma pessoa rancorosa.

Cláudia: Mas e o Eduardo, como que eu vou conversar com ele? Com que cara?

Luiza: Com a sua. Mas no seu lugar eu estaria morrendo de medo. Ele é um homem bom, e não faria mal, mas você foi muito dura. Você emasculou ele na nossa frente.

Cláudia: Eu sei. De verdade? Eu queria que ele me desse um soco. Que me quebrasse o nariz.

Luiza: Ai, minha amiga. Se ele te perdoar, já estará de bom tamanho.

Cláudia: Sabe, se ele me perdoasse e me quisesse de volta, eu acho que aceitava.

Luiza: Pelo amor de Deus. Ele é apaixonado por outra pessoa. Você criou uma situação tão violenta, que forçou ele a encarar isso. Se ele não se resolver como homem, ele será covarde, mas você será egoísta, por permitir que ele engane a si mesmo, e se acostume a mentir para si.

Silêncio.

Luiza: É... bom...

Luiza tira da bolsa uma caixinha e mostra para Cláudia, que abre e vê a aliança.

Cláudia: O jantar era pra ele te pedir em casamento? Meu Deus, até pra vocês dois eu preciso pedir perdão...

Luiza: Tsc, relaxe.

Cláudia: Puxa vida, hein? Pelo menos uma de nós está feliz. Você merece. Sabe, eu vejo quanta coisa você abdicou por amor. Você é até mais serena.

Luiza: Impressão sua, continuo sendo a mesma vaca doida de sempre.

Cláudia: Ai, Luiza. O que seria de mim sem você?

Luiza: Monótona.

Cláudia: Sabe, eu sempre achei que você no fundo era bem mais madura que eu.

Luiza: Não fale besteira. Você já viveu coisas que eu não consigo sequer me imaginar resolvendo. Somos diferentes uma da outra, e por isso somos amigas. Porque precisamos uma da outra.

Cláudia: Eu ouço sempre dos outros que sou boa, que tenho bom coração, que sou pura. O Sêu Pereira mesmo, me disse que admirava meu altruísmo. Aí eu acabo acreditando, levando a sério. Aí eu me acostumo a geralmente ter razão quando aconselho ou chamo a atenção de alguém por conta do comportamento, perco a medida. Acho que posso dar broncas nas pessoas ou falar tudo o que penso, achando sempre que eu estou certa, pois meu ponto de vista é sempre justo.

Luiza: É... De repente, nós somos todos a mesma coisa, não é, minha amiga? Cada um de uma cor, de uma forma, de um tamanho, mas a mesma coisa.

As luzes apagam-se.

Sobre Amor Vol. 01

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

| | | 1 comentários

Penso que o mundo é um lugar estranho.
Eu que sempre achei que estava certo
Acabo vendo que nunca estive errado,
Acabo vendo que também estavam certos
Aqueles que me diziam ser errado.

O propósito me atirou pra frente.
À frente de tantos.
Não estou aonde quero,
E onde estou estou sozinho.

Sinto falta de ser criança.
A vida com os propósitos me parece ter mais sentido,
Mas a vida sem eles, é mais fácil de viver.
Mais livre para ser.
Sinto falta da inocência.
Mas não a da pureza.
A da ignorância mesmo.

Cadê o amor, que dizem estar sempre reservado?
Cadê a dita prosperidade, que dizem ser alcançável?
O que devo eu pedir em minhas orações?
Prosperidade, para compartilhar com outros?
Ou amor, para me compartilhar só com um?

Honestamente? Prefiro o amor.
Cadê o egoísmo, a cegueira do amor?
Quero esquecer que o mundo está acabando,
Quero esquecer que sentem fome.
Quero esquecer que eu sinto fome.
Eu só quero amar.

12:20
23 de fevereiro de 2010

DEMOCRACIA PRÉ-2012

domingo, 7 de fevereiro de 2010

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Aê, playboy, vota na Dilma pá tu vê o quê acuntece...

Um brinde

domingo, 24 de janeiro de 2010

| | | 0 comentários
Oh, liberdade enganosa,
falso afeto que convence o remetente, mas desgosta-me a vida.
Porque tal descrença, visto que o mundo jamais me conheceu?

Ah, que desprazer, decepção, ver o falso amor que só demonstra orgulho nos momentos de glória.
Quantas lições me são dadas,
mas quantos, de fato, me ensinam algo?

E os infelizes, que me julgam todos os dias...
O que faço eu para lidar com o prazer da inferiorização?
Rejeição, ciúmes, inveja: só por meu propósito ter vindo mais cedo.
Estou exausto...
Ser sempre o único a se preparar para o futuro,
sempre o único a encorajá-los aos sonhos.

Como se o Preparar-se-Para-O-Futuro não cobrasse sofrimento, solidão e outra grande sorte de necessidades vitais.

Mas qual o preço? Os favores, pois que tudo aquilo que a mim é feito, vem como favor.
Que eu não me esqueça que certos tipos de amor só existem nas utopías.

Alex Pedro.

São Paulo, 24 de janeiro de 2010

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