Trecho do meu roteiro de filme sobre as Erínias e o fim do Panteão grego

terça-feira, 23 de março de 2010

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1 EXT. GÔNDOLA NO RIO COCYTOS - NOITE 1

Abrimos a imagem com uma TOCHA sendo acesa, sua luz se DESTACANDO no meio do escuro. Ela está numa GONDOLA com duas pessoas: um homem ENCAPUZADO está em PÉ numa extremidade da gôndola, o outro está SENTADO e ENCOLHIDO. Vemos suas silhuetas cortando um BOSQUE de ÁRVORES SECAS.

Muda a imagem para o bosque. Vemos uma silhueta de HOMEM correr seguida por outras TRÊS, que parecem ser MULHERES. Uma delas carrega uma TOCHA. DESAPARECEM. Ouvimos um GRITO de homem. Um GRITO de MUITA DOR e PÂNICO que CORTA o SILÊNCIO.

A imagem volta para a gôndola, e vemos o olhar de TERROR do homem sentado. Ele é ORESTES, um rapaz de aproximadamente 25 anos. É fantasmagoricamente BRANCO. Está NU e demonstra sentir FRIO.

Vemos a gôndola por trás. Uma BOLA DE FOGO é jogada de um lado do rio para o outro. Ouvimos os gritos de UMA MULHER. OUTRAS MULHERES RIEM. Orestes se assusta.

ORESTES
(A si mesmo)Será isso para sempre?

OUVIMOS uma GARGALHADA ASMÁTICA, e Orestes olha assustado para o gondoleiro. Ouvimos um GEMIDO de SÚPLICA, e Orestes toma outro susto, ao ver uma MÃO BRANCA e PODRE agarrar seu pulso. É um CADÁVER VIVO. Ele se apóia com a outra não no barco e começa a se levantar, parecendo mais aterrorizado que Orestes. Mas leva uma PANCADA do gondoleiro com seu REMO e afunda na água. O gondoleiro ESTICA um braço, e o rapaz vê, ainda distante, a silhueta de TRÊS mulheres na margem do rio.

CORTA PARA:

2 EXT. MARGEM DO RIO COCYTOS - NOITE 2

A gôndola se aproxima das três mulheres: São elas ALECTO, MEGAIRA e TISÍFONE. As três vestem MANTOS NEGROS e bordados. Alecto é magra, branca, cabelos pretos e é INEXPRESSIVA Segura uma TOCHA acesa. Megaira tem pele MORENA, é corpulenta e olha com AFRONTA. Tisífone é LOIRA, BONITA, e olha com DESPREZO Veste-se com uma toga que deixa um de seus seios à mostra. Carrega nas mãos um chicote com ganchos de aço numa extremidade. A gôndola PÁRA e Orestes OLHA para CADA UMA delas com MEDO.

MEGAIRA
(Inquieta)Jovem Orestes parece não ter apreciado a viajem pelo Rio Cocytos.
(CONT.)

ALECTO
Levante-se para que possamos vê-lo.

Orestes se LEVANTA cobrindo seu SEXO. TREME de MEDO. Elas o MEDEM com os OLHOS. Tisífone dirige o olhar para o gondoleiro.

TISÍFONE
Vá, Thanatos. Este jovem é agora nossa responsabilidade. Que Lorde Hades ilumine vosso caminho em vossas gloriosas missões.

Thanatos, o gondoleiro, faz uma REVERÊNCIA às Erínias e DESAPARECE junto com o barco.

MEGAIRA
Ordeno que não se cubra. Ordeno que nos mostre seu corpo. Ele agora nos pertence.

Orestes abre os braços e elas olham pare ele com malícia, prestando atenção em detalhes do corpo dele. Ele age como se estivesse HUMILHADO, olhando somente para o CHÃO.

ALECTO
Nós somos as Erínias. Filhas do pai Urano, nascidas pelas gotas do sangue de sua castração que escorreram por Gaia sob os olhos de Ni.

Megaira se aproxima para acariciar o corpo do rapaz. Ouvimos um GRITO de TORTURA vindo de algum lugar próximo. O rapaz começa a tremer. Elas o CERCAM lentamente.

ALECTO(CONT.)
Somos a justiça sobre os que partiram. Somos as Erínias. Eu sou Alecto.

TISÍFONE
Eu sou Tisífone. Estou aqui para que se lembre que a dor que se causa se paga com ainda mais dor.

Elas o CERCAM lentamente. Megaira arranha as costas de Orestes, que demonstra ainda mais MEDO.

MEGAIRA
Tu vais gostar de mim, Orestes. Me chamo Megaira.

ALECTO
Tu bem sabes porque estás aqui, não sabes, Orestes?

ORESTES
(Murmurando)Eu...

Tisífone dá um TAPA VIOLENTO no rosto de Orestes

TISÍFONE
(Gritando)Cale-se, maldito!

Megaira fica atrás do rapaz e aproxima seu rosto de deu pescoço. Orestes só olha para o chão.

MEGAIRA
(Sussurrando)Que crimes este carneiro assado seria capaz de cometer, Alecto?

ALECTO
Dai-nos um palpite, Tisífone.

Tisífone FAZ UM GESTO com os braços e do ar SURGE caindo nos seus braços o corpo de uma mulher vestida com manto sujo de sangue e um PUNHAL FINCADO NO PEITO.

ALECTO
(Gritando)Matou a própria mãe, este maldito!

Tisífone gira seu chicote e acerta no rosto de no rosto de Orestes. Rasga o rosto do rapaz, que a olha transtornado e começa a correr. Tisífone solta mais corda para o chicote, gira-o e o lança em uma grande distância, grudando e rasgando a pele das costas do rapaz, que detém-se por um instante e volta a correr. As três riem.

Preto Pobre

sexta-feira, 19 de março de 2010

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Estava meio inspirado, ou quem sabe sem inspiração, dependendo do ponto de vista, hahahaha, e escrevi essa musica. Não encontrei ainda uma melodia para ela. Chama-se Preto Pobre.

PRETO POBRE

Preto pobre trabalha todo dia,
Preto pobre não sai mais do lugar

Preto pobre não é protagonista,
preto rico em novela é que não há.

Preto pobre é bahiano, branco ou feio,
preto pobre é quem menos lhe importar.

(REFRÃO)
Preto pobre esquecido,
vota em branco todo dia,
preto pobre, lembra, filho,
pra eles qual é o seu lugar.

Preto pobre sorri de desventura,
preto pobre vive em qualquer lugar.

Preto pobre não fala sete linguas,
Preto pobre não tem segundo grau.

Preto pobre vira presidente,
preto pobre põe tudo no lugar.

(REFRÃO)
Preto pobre, renegado,
tua asa, tão decepada,
preto pobre, ergue a cabeça,
levanta pra trabalhar.

Mas se o preto, que é pobre, pobre preto, ergue a voz,
Eis que toma para si o mundo, ou perde de si o mundo que conhece.

Preto pobre é viado, é sapatão,
preto pobre só é forte em multidão.

Preto pobre é o que apanha por que é mudo,
preto pobre é o que bate porque é surdo,

(REFRÃO)
Preto pobre, meu amigo,
Muda o mundo enquanto é dia,
Noite vem, trás o silêncio,
Pede agora um bom destino.

É isso, quem quiser usar é só pedir e pagar!
Hahahahahahaha
Bom fim de semana à todos.

Essa História de Amor - Cena 4 - Ato 3

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Cena da minha peça "Essa história de amor"

CENA 4 – Uma mesa de bar.
Luiza e Cláudia tomam café.

Cláudia: Só vim porque você insistiu.

Luiza: Tá revoltada?

Cláudia: Tô. O homem da minha vida é gay. Ele me mandou uma mensagem no celular dizendo que quer conversar comigo. Mas eu não quero conversar com ele. Não quero vê-lo nunca mais. Eu acho que vou ligar pr'aquele massagista que ficava dando em cima de mim. Ele vem, faz a massagem, dá em cima de mim. Mas dessa vez eu dô pra ele. Cansei disso, Luiza. Cansei de ser boba. De querer tudo certinho.

Luiza: Não querer tudo certinho, não significa fazer tudo erradinho, Cláudia. Você nunca foi promíscua, nunca foi vadia. Nunca foi de jogar charme pra cima de todo homem. Acho que você já tá um pouco velha pra isso. Mudar nesse aspecto não vai resolver o problema.

Cláudia: E o que resolveria?

Luiza: Entender todos os lados do problema, por exemplo. Esfriar a cabeça, e aceitar que as vezes o medo dos outros nos atinge, nos fere, e que vai de nós mesmos perdoar ou não. Ele não é um canalha. É um homem que tem um medo, e você expôs a maior fraqueza dele, o maior segredo dele na frente do melhor amigo dele. Ridicularizou ele na frente do meu irmão. Ele deve estar se sentindo bem menos homem depois disso.

Cláudia: Tá. Mas eu estou me sentindo bem menos mulher depois disso.

Luiza: Ótimo, assim vai ficar ainda mais fácil entender o lado dele. Você está sentindo dele a mesma rejeição que ele sentiu do mundo a vida inteira.

Cláudia: (triste)Eu só queria que você dissesse que ele é um canalha.

Luiza: Imagine que o meu irmão fosse uma mulher. Teria tido toda essa proporção?

Silêncio.

Luiza: Teria sido assim, tão ultrajante?

Cláudia: Não teria. Mas ele é um homem.

Luiza: Você está decepcionada.

Cláudia: Você não ficaria?

Luiza: Sabe o Horácio e o Gilberto?

Cláudia: Eles são?

Luiza: Eu tinha saído com o Gilberto. Tinha sido a maior loucura. Aí eu sai com o Horácio. Outro maravilhoso. Um dia eu embebedei os dois e levei os dois pra cama, e comecei a propor algumas brincadeiras. Os dois estão juntos até hoje.

Cláudia: Tô chocada!

Luiza: Não fique. Olha, primeiro, aceite que essa rejeição toda vem pela cultura na criação dos filhos. No fundo a gente não tem motivo pra sentir esse preconceito, esse nojo em ver dois homens se beijando.

Cláudia: Eu nunca tinha feito sexo oral. Foi com ele a primeira vez. Eu estava apaixonada por ele. Por ele eu estava mudando um monte de coisas em mim. Eu adoro o cheiro dele. O humor dele. O jeito dele de olhar.

Luiza: Mas ele ama outra pessoa.

Cláudia: É. O seu irmão.

Luiza: Pelo amor de Deus, Cláudia. Amar é querer que a pessoa seja feliz, não é? Foi o que você me disse faz o que, uns dez anos? Se ele é maravilhoso, inteligente, carinhoso, gentil, bonito, ele merece ser feliz, não é?

Cláudia: Merece. Só queria que fosse ao meu lado.

Cláudia toma um pouco de suco.

Cláudia: O parte mais estranha disso é que essa outra pessoa é alguém que eu gosto.

Luiza: É, isso foi um tapa na minha cara, também. Nunca que eu poderia imaginar uma situação como essa. Eu até tento me colocar no seu lugar, mas não consigo.

Cláudia: Mas de qualquer forma, você sempre foi mais ousada e desprendida do que eu. Eu preciso pedir desculpas pro Tom. Eu gosto tanto dele, não acredito que fiz isso. Será que ele está com raiva de mim?

Luiza: Está decepcionado. Mas meu irmão nunca foi uma pessoa rancorosa.

Cláudia: Mas e o Eduardo, como que eu vou conversar com ele? Com que cara?

Luiza: Com a sua. Mas no seu lugar eu estaria morrendo de medo. Ele é um homem bom, e não faria mal, mas você foi muito dura. Você emasculou ele na nossa frente.

Cláudia: Eu sei. De verdade? Eu queria que ele me desse um soco. Que me quebrasse o nariz.

Luiza: Ai, minha amiga. Se ele te perdoar, já estará de bom tamanho.

Cláudia: Sabe, se ele me perdoasse e me quisesse de volta, eu acho que aceitava.

Luiza: Pelo amor de Deus. Ele é apaixonado por outra pessoa. Você criou uma situação tão violenta, que forçou ele a encarar isso. Se ele não se resolver como homem, ele será covarde, mas você será egoísta, por permitir que ele engane a si mesmo, e se acostume a mentir para si.

Silêncio.

Luiza: É... bom...

Luiza tira da bolsa uma caixinha e mostra para Cláudia, que abre e vê a aliança.

Cláudia: O jantar era pra ele te pedir em casamento? Meu Deus, até pra vocês dois eu preciso pedir perdão...

Luiza: Tsc, relaxe.

Cláudia: Puxa vida, hein? Pelo menos uma de nós está feliz. Você merece. Sabe, eu vejo quanta coisa você abdicou por amor. Você é até mais serena.

Luiza: Impressão sua, continuo sendo a mesma vaca doida de sempre.

Cláudia: Ai, Luiza. O que seria de mim sem você?

Luiza: Monótona.

Cláudia: Sabe, eu sempre achei que você no fundo era bem mais madura que eu.

Luiza: Não fale besteira. Você já viveu coisas que eu não consigo sequer me imaginar resolvendo. Somos diferentes uma da outra, e por isso somos amigas. Porque precisamos uma da outra.

Cláudia: Eu ouço sempre dos outros que sou boa, que tenho bom coração, que sou pura. O Sêu Pereira mesmo, me disse que admirava meu altruísmo. Aí eu acabo acreditando, levando a sério. Aí eu me acostumo a geralmente ter razão quando aconselho ou chamo a atenção de alguém por conta do comportamento, perco a medida. Acho que posso dar broncas nas pessoas ou falar tudo o que penso, achando sempre que eu estou certa, pois meu ponto de vista é sempre justo.

Luiza: É... De repente, nós somos todos a mesma coisa, não é, minha amiga? Cada um de uma cor, de uma forma, de um tamanho, mas a mesma coisa.

As luzes apagam-se.

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