Essa História de Amor - Cena 3 - Ato 1

terça-feira, 13 de julho de 2010

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CENA 3 – CENÁRIO: SALA DO APARTAMENTO DE LUIZA.
Luiza está esticada no sofá. Ouvimos uma campainha, ela abre a porta. Entra Tom.
Tom: Nossa, eu sou seu irmão, não precisa desse decote pra abrir a porta pra mim.
Luiza: Ah, seu mala, como está?
Tom: Mal, ter como programa de sábado vir no seu apartamento pra ficar assistindo televisão não é lá grande coisa.
Luiza: Ah, vai, mas a gente tem bastante fofoca pra botar em dia.
Tom: Isso é bem verdade, viu...
Ele se senta no sofá, ela senta-se do outro lado.
Tom: Que é isso, precisa de um decote assim? Qualquer rélez mortal pode ver seus peitos. Que é isso. Se eu fosse mulher e tivesse uns “peitão” assim, eu ia cobrir, e escolher a dedo, bem escolhidinho, pra quem mostrar, pro cara achar que é o evento do ano e se sentir grato.
Luiza: (rindo)É só pra provocar. O evento não deixa de ser menos compensador pelo decote. Se bem que gratidão é uma coisa que realmente falta em homem.
Tom: Ai, Lu, nem me diga isso...
Luiza: Tonzinho... O que aconteceu, Thomas? Aquele Ed, ainda?
Tom: Não é fácil seguir em frente. Quando eu achei que estava aprendendo a renovar o guarda-roupas, vem a pena de jogar fora aquela camiseta velha rasgada, feia. A gente se acostuma com as manchas de gordura e café.
Ouvimos o celular de Luiza tocar.
Luiza: Cláudia? Ai, tá, eu acho que não devo ter encaixado o interfone direito, por isso não ouvi. Meu irmão tá aqui. Vou apertar pra abrir a porta aí embaixo.
Cláudia chega até a porta, deixa a porta aberta, e se senta ao lado do irmão.
Luiza: Ele te procurou?
Tom: Pior, me mandou um mensagem de texto no celular. Dizendo “Espero que esteja bem”.
Luiza: Traduzindo, “Não quero que você me esqueça”.
Tom: É... Basicamente isso.
Cláudia entra.
Cláudia: (gritando, contente)Tonzinho... Que foi que você está com essa cara?
Luiza: Aquele cara, ainda. Deu um pé na bunda dele e ainda manda mensagem de texto.
Cláudia: Puxa. Acho que eu devo ter muita sorte por nunca ter chorado por homem nenhum.
Luiza: É, ah, maninho, eu também não tenho sorte.
Cláudia: Você cale a sua boca! Sua vaca. Sabe o que a cachorra da sua irmã fez? Resumindo a história, ela saiu com um cara, brigou com ele, e eu a chamei para conhecer o melhor amigo do cara com quem tenho saído, e, olha isso, era o mesmo. Aí os dois se conversam, se beijam, ela vai pro banheiro, e depois foge da festa. Mas o que acontece, ela está toda apaixonada, acha ele lindo, maravilhoso. Ele acha ela a maior gostosa, acha que ela é engraçada e inteligente. Se um homem te acha engraçada, inteligente e gostosa, ele só tem que estar apaixonado.
Tom: São os requisitos da mulher perfeita, mas você falou na ordem errada. Gostosa vem sempre na frente. Mas olha, hein, Luiza, eu já te achei mais inteligente. Mas o que você fez, Cláudia?
Cláudia: Falei que ela tinha recebido a ligação de um amigo seu, e que você tinha ido parar num hospital por algum motivo...
Tom: Quer dizer, a Cláudia precisa me matar pra livrar a sua cara? Porque você fugiu?
Luiza: Longa história... Antes de ontem, a gente tinha acordado juntos, e à noite fomos ao cinema, e ele disse, não diretamente, que eu me visto feito uma puta.
Tom: Não que ele estivesse dizendo alguma mentira, mas isso é demais. Mas vocês já tinham conversado com esse tipo de senso de humor antes?
Luiza: É...
Tom: Ai, Luiza, mulher quer ter todos os direitos de homem, até na hora de fazer piada, mas não abre mão de cavalheirismo. Quisera eu alguém pra abrir a porta do carro pra mim. Não iria fazer nenhuma questão de equiparar responsabilidades. O Ed era assim, comigo. O seu problema é que você tem medo de se apaixonar, porque você não é galinha por acaso. Você é galinha porque gosta de ser.
Cláudia ri sem fazer barulho, tapando a boca.
Tom: O tempo que eu levo com um namorado, você passa por pelo menos uns dez diferentes.
Luiza: Dez diferentes? Me fale uma coisa, aquela sua fase de sair pegando todos os go go boys que apareciam pelo caminho já passou?
Tom: (ultrajado)Pro seu governo foram dois. Um que eu não sabia. Eu tava bêbado, e depois descobri que ele era burro, e o outro era “professor de dança”.
Luiza: E estava fazendo o que dançando de sunga na boate?
Tom: Um bico. Tem gente que faz piquete em porta de banco, ele tirava a roupa. Você sabe que eu não sou uma companhia barata de se ter. Mas voltando ao assunto, de qualquer forma, se o cara é gato e está mesmo “Up to it”, baby, pega logo e não deixa pra outra não. Eu sempre acho que encontrei o amor da minha vida. O problema é que eu sempre descubro que só eu estou procurando.
Luiza: Essa palhaça fica me incentivando. Mas eu estou morrendo de medo. E se ele não estiver disposto a me dar a importância que eu sei que posso dar pra ele?
Tom: O pior que pode acontecer é você ter que começar a chorar, quebrar pratos, gritar, botar um cd da Madonna tocando no volume máximo, limpar sua casa inteira e seguir em frente.
Luiza: Você sabe que eu te amo, né?
Tom: As vezes...
Cláudia: Menino, conta direito essa história. Esse cara terminou com você porque? Não é aquele que te levou pra não sei aonde?
Tom: Costa do Sauípe.
Cláudia: Mas como isso aconteceu?
Tom: Assim, ele nunca falou de mim pra ninguém, porque todos os amigos dele são héteros. A família dele, segundo ele, nem imaginam que ele é gay. E aí, entre nós ele me entrega o coração, fora de quatro paredes, ele tem vergonha de mim. É meio humilhante. O pior de tudo é saber que ele realmente me ama.
Luiza: Mas isso é tão difícil assim?
Tom: A gente foi criado pela vó e pelo mundo. Ele é de uma família muito rica. Mas independente de dinheiro, a família se preocupa com o nome. E ele tenta ser um filho que não envergonhe os pais. E os pais preferem assim. Ele coloca a família que não está preocupada se ele está feliz em primeiro lugar, e a família coloca “o que os outros vão pensar deles” em primeiro lugar.
Cláudia: Ele é um sacana.
Tom: Não. É um covarde. Se eu sofro, ele deve sofrer muito mais. Apesar das coisas que ele me disse...
Cláudia: O que ele disse?
Tom: Que não poderíamos nos casar na igreja, que eu não poderia dar filhos pra ele. Desculpas que ele arrumou para dizer pra si mesmo diante de um espelho, para se encorajar a arrumar uma mulher, se casar, ter filhos, ser infeliz, mas merecer o orgulho da família hipócrita, egoísta e cruel que ele tanto preza.
Cláudia: Que coisa. Tem tanto tipo de crise ou questão entre vocês que a gente não consegue imaginar.
Tom: Pois é... Tem coisa que nenhuma mulher é capaz de entender, pois, independente de qualquer coisa, continuamos sendo homens. (para Luiza)Você é mulher, ele é homem. Você gosta de homem, e ele gosta de mulher. Vocês estão interessados um no outro. Irmãzinha, não perca tempo. Eu não perderia. Sempre tento ser feliz. Você nunca tenta. Simplesmente leva a vida no mesmo tom. Sai com vários caras, um mais lindo que o outro. Verdade. Mas nenhum você faz questão de lembrar do nome. No final das contas, você está sempre acompanhada com a mesma pessoa: Ninguém. Quando esse ninguém ganha uma identidade, aí você fica assim, vulnerável. Morrendo de medo. Ainda bem que eu tenho você. Pra eu ver bastante e me lembrar que não quero ficar louca assim.
Cláudia: Não entendo porque tanta gente tem medo de sofrer.
Tom: O que é uma besteira. Eu estou sempre sofrendo as dores de um pé na bunda, mas não desisto, nem de encontrar uma próxima pessoa, nem da recente. Ninguém que já esteve comigo pode dizer que eu tenha desistido. Desistem de mim, o que é pior para o meu coração, mas para minha consciência, honestamente, é um alívio.
Cláudia: Verdade. Uma hora alguém que você ama acaba tomando coragem de lutar por você, ou alguém que pode te fazer feliz acaba percebendo, de longe, quem é você, e o que você quer.
Luiza: E as pessoas persistentes realmente conseguem o que querem: ser muito chatas e pedantes.

Os três riem.

Luiza: Não vou procurá-lo, mas se ele me procurar, prometo que não vou fugir mais.
Tom e Cláudia agarram Luiza.

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