As Princesas - Cena de minha nova peça

sexta-feira, 10 de junho de 2011

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Tadeus: Princesa Isadora. O que fazes sozinha neste corredor? Atrevo-me a acompanhá-la.
Isadora: Meu bom cavaleiro, estamos somente nós dois. Não preciso ser chamada por títulos. Sou princesa por um acaso histórico quase acidental. Meus filhos possivelmente não serão mais do que Duques. Se eu os tiver, claro. Velha como estou...
Tadeus: Ora essa, mas os Duques são tão valiosos quanto o rei.
Isadora: Claro, quando estão no topo da linha de sucessão.
Tadeus: És a quinta na lista.
Isadora: Quarta. Não que isto mude algo.
Tadeus:Tu és uma princesa. O povo, súdito seu, prostra-se como em genuflexão para ti, para vossa honrada mãe. Nossas únicas mulheres.
Isadora: Fale isso baixo para minha mãe não escutar(ri). No mais, tenho miolos fracos demais, e uma grande preguiça para estudos. E outra, Tadeus, Mal falo latim!
Tadeus: Falas um bom grego, que bem sei. Além de nossa língua. És uma mulher erudita. Mui bela.
Isadora: Ah, não sou.
Tadeus: (Malicioso)O é. Como uma flor.
Isadora: Ah, eu? Não... Eu não.
Tadeus: Sim, com um perfume doce de fêmea que faz teus súditos curvem-se em prece.
Isadora: Ora, não fale mais.
Tadeus: Me perdoe, minha distinta princesa. Ah, que Deus perdoe meus pecados.
Isadora: Que pecados?
Tadeus: Estes em minha imaginação.
Isadora: Assim me envergonho.
Tadeus: Céus, não se envergonhe, do contrario, mais graves serão os meus crimes. Ai, que minhas intimidades já dobram de tamanho...
Isadora: Ai meu Jesus Cristinho...
Creuza:(de fora) Isadora?
Isadora: Ai, se minha mãe te pega me deixando neste estado... Te faz preso por me desonrar.
Tadeus: Mas nem ao menos a toquei...
Creuza: (de fora)Tesouro? Minha princesa.
Isadora: É o que pensas. Poderosas são as mãos, que com um pouco de imaginação e olhos fechados passam a pertencer a outrem.
Tadeus: Tu és uma sobremesa, minha princesa. Uma para se provar com uma colher bem pequena.(sai)
Creuza entra.
Creuza: O que causa esta vergonha devastadora em sua face? Um mero elogio não deixa uma donzela assim a menos que seja dos mais rudes e perversos. Quem estava aqui?
Isadora: Ora, minha mãe, eu estava aqui, a sua espera para que pudéssemos voltar para nossa casa - No ínterim, rezava.
Creuza: Sei. E Jesus te deixou assim?
Isadora: Ora, minha mãe, deixe-me cá. Nada faço, nunca. Não agüento essas aflições. Já me basta ser uma velha solteira de quase trinta. Essas angústias que sinto na pele, que seguem por calores estranhos que descem pela barriga; que sobem pelas pernas e se encontram...
Creuza: Basta. Crux Sacra... Acalme-se, minha filha. Sois uma boa moça, entendo que surjam necessidades. Precisas de um marido, e quando o tiver, faça trinta e três filhos com ele, se agüentares. Mas espere um pouco mais. O futuro lhe reserva algo de bom.
Isadora: Algo de bom... Minha mãe, fala pra mim... É bom?
Silêncio.
Creuza: Sim, Isadora.
Isadora: Bom quanto?
Creuza: Isso importa?
Isadora: Lógico.
Silêncio.
Creuza: É muito bom – Mas é pecado!
Isadora: Ah, se o reino de Deus já está entre nós, decerto, só o que resta do outro lado é o inferno. Logo, pequemos!
Creuza: Espero que Deus esteja ocupado o bastante para não ouvi-la. Vamos para casa.

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