Das Crônicas de Larcúcia - Le Roi Est Mort, Viv Le Roi

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

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Ato 1 - Cena 2 (aposentos do rei)

O rei está deitado em sua cama cercado por curandeiros, e Antonia. Entra Poncius e Tadeus.

Rei: Onde está o príncipe?

Poncius: A caminho, senhor...

Rei: Vejo que está acompanhado, meu filho... Traz-me boas novas de Endormus, Tadeus?

Poncius faz-lhe aceno para falar.

Tadeus: Senhor, meu rei. Não sou hoje o anjo que aguardas para boas novas. Sou portador do incidente mais triste. A torre leste caiu, milorde. Endormus fora invadida. Uma batalha exaustiva tomou catorze horas de nossos homens. Somente sessenta vivem. Espalharam-se pelos outros postos, municiando nossos soldados com as dolorosas noticias. Em nome de todos: aguardo ordens.

Rei: Tadeus, Nosso Senhor vos acompanhe. Sou hoje apenas um velho moribundo. Meus filhos juntos tomarão uma decisão. Meu corpo arde como se as chamas do além já o pudessem tocar. Sinto-me frágil, seco. Quero ver Cassius, solicito-o. Não posso morrer sem tê-lo por um ultimo momento.

Poncius acena para que todos partam. Saem todos.

Poncius: Cassius não deseja ser o Rei de Larcúcia. O príncipe rejeita o encontro com o pai. Estamos em guerra.

Rei: Não me deixe a sós com seu irmão. Traze-o para mim. Mas em nosso redor, quero o Bispo, os curandeiros, o ministro, e também a Senhôra Creuza. Vá, Poncius. Vá, e não deixe que ninguém entre. Quero ficar sozinho.

(Poncius sai)

Rei: O que pode um rei pedir a Deus? Teria ele algum privilégio sobre os demais seres? - E se eu rogasse como um pai? – Nesta missão também eu fracassei. Esse amor cego pelos olhos que me vêem do alto. Se eu pudesse mudar tudo... Cassius, é ele. Ele é meu pedido de desculpas para meu povo. Sendo ele um rei fraco, seria ao menos um rei mais digno e menos soberbo. Que meu príncipe me perdoe, mas não lhe darei quaisquer escolhas. Ele é o que Larcúcia precisa, e eu confiarei no destino. Acreditarei n’O Senhor. Que esta seja uma chance de me redimir com meu povo, com Poncius... E Cassius. Que me perdoe pela crueldade e complacência.

(Entram Poncius, Cassius, Creuza, Tadeus, o Bispo, o ministro, Antonia e os Curandeiros. Cassius ajoelha-se diante do Rei)

Cassius: Senhor meu rei, cá estou eu.

Rei: Não é como rei que o trouxe, Cassius, meu filho.

Silencio.

Cassius: Senti falta destes muros. Guardam tantos segredos.

Rei: Sim, muitos. Alguns foram belos, não foram? Fale comigo. Alguns foram belos, não foram?, meu filho.

Cassius: Sim, majestade.

Rei: (tosse) Serás o rei de Larcúcia, meu príncipe. Seu povo lhe devotará um amor que vós desconheceis. Nosso povo é bom. E forte. Os tempos são difíceis, mas um rei digno lhes trará prosperidade.

Cassius: Meu irmão será o senhor de Larcúcia, e vencerá o inimigo, tenho fé nisto, majestade.

Rei: Tu, Cassius Demetrius. Tu governarás Larcúcia. Esta é a ultima ordem que deixo. Se me rejeitas como pai, obedeças como Rei e Senhor. (Tosse) Poncius é bravo, e permanecerá o mestre de nossas armas. A menos que meu sucessor encontre-lhe melhor finalidade.

Poncius: Como desejares, meu rei.

Rei: Sou o pai dos senhores. Nada do que peço é por mim, senão por vós, ou nosso povo. O que pediria por mim?, cujo futuro nunca esteve tão certo.

UM CURANDERO: Ele está pior. Precisamos que deixem seus aposentos.

Rei: Fiquem!

Cassius: Não posso ser rei, meu senhor.

Rei: Então diga isso a seu pai que é Deus. Diga-lhe que teve a oportunidade de ser o pai de seu povo e mudar tudo, e a rejeitou por vaidade.

UM CURANDEIRO: Não fale, meu senhor.

Rei: (tosse) Eu falhei, Cassius.

Cassius: Serei o Rei de Larcúcia. Como desejas, meu pai.

(Cassius beija seu pai. O rei morre. O bispo benze o defundo)

Ministro: O Rei está morto. Vida longa ao Rei.

Todos ajoelham-se, e partem, menos Cassius e Poncius.

Poncius: Estamos em guerra. O povo esta desencorajado. E você vem de um convento para reinar. Resta-nos rezar, não é?, meu irmão.

Cassius: Resta-nos descansar, enterrar nosso pai para, sóbrios, decidir como proceder.

Poncius: Theodosius não nos fará trégua.

Cassius: Então tome a providência mais prudente para uma ação imediata. Soluções de maior escala e estratégias agora serão rediscutidas. Deixe-me sozinho.

Poncius sai.

Cassius: Maldito destino que sempre me joga para os leões. De que me vale ser sempre o homem fraco, covarde... Meu pai. Tu mesmo. Porque me fizeste isso? Soubestes toda a vida que fugi deste destino. Não posso ser rei. Não sou homem para tanto. Será doloroso olhar para as outras faces, algozes, que me esperam; algozes amigos. Meu irmão, que me repudia, me olhará como Rei. Não desejo tal ira sobre minha vida. Mas tomou-me as escolhas. Eu que só queria morrer e ser enterrado sem qualquer distinção, agora carrego acima do pescoço a mais valiosa das cabeças. Não há castigo maior que mais responsabilidades.

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