O Menino que não podia morrer... Capítulo 1

domingo, 8 de janeiro de 2012

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Setembro, dia treze. 1929

Gilmar apoiava-se para cochilar na carroça velha naquele entardecer frio e nublado quando percebeu uma luz tão forte sobre sua cabeça e sentiu um estouro poderoso a menos de quinze metros dele. O chão tremeu, o cavalo correu, e ele próprio desnorteou-se por alguns segundos. Olhou para trás.
Calou-se, contido pelo choque. Sentiu a terra sob seus pés. Estava quente como a tarde de algum verão rigoroso. O céu, cujas nuvens continham uma chuva forte que despencaria a qualquer momento, estava cinza escuro e um buraco, de uma elipse perfeita, permitia que a luz do sol iluminasse uma parte do mato: aonde havia caído algo.
O mato não havia sido queimado, nem sequer amassado: contorcia-se para aconchegar algo, e havia formado no solo uma cavidade redonda perfeita, e no centro havia uma criança pelada, deitada em posição fetal. Uma criança grande, de seis anos, limpa, de cabelos pretos, longos e brilhantes e uma respiração deliciosamente relaxada. Gilmar andou até o buraco. A chuva começara. Ele escorregou ao entrar e aproximou-se da criança. Ajoelhou-se e viu o sexo, era um garoto. Cobriu-o com seu paletó, mas não havia frio. O sol os abrigava. O sol abrigava unicamente aquelas duas pessoas no meio do vento gelado e a chuva fina que começava.
As nuvens começaram a deformar o orifício por onde a luz passava. Gilmar permaneceu silencioso contemplando o céu, misterioso. Depois segurou a criança em seus braços e a levou até a carroça, e seguiu seu caminho.
Estava cansado. Sua vida não mudava, e seria para sempre isso. Já era incapaz de reconhecer a própria juventude. Pousou seus olhos cansados sobre o menino deitado ao seu lado, inconsciente. Quem seria ele? Teria caído do céu? Não. Era apenas um delírio de uma imaginação que sempre implorava por alguma esperança.
Com o corpo molhado da chuva, e resfriado pelo vento forte, ele seguiu seu caminho.
(CONTINUA NO PRÓXIMO DOMINGO – 15/01)
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5 comentários:

Anônimo disse...

Hugo Borim


Vlw Alex, o sucesso é fruto de seu trabalho, gostei do conto, mas acho que precisa escrever mais, bora usar mais esse pc ai, mas ta de nota dez, eu particularmente, escrevo muito pouco, ando fraco de criação, mas só de ver um amigo criando, ja fico motivado, mas acho que precisa ser mais ativo nessa area, pra ter sucesso, mas esta no caminho certo, nota dez para o texto, mas agora com mais vigor, por favor, que te ver no topo do mundo, e pra isso, precisa de muito trabalho, e se trabalhar melhor essa criatividade, acho que sai algo bem legal, que pode até implacar um filme, Bjos e abraços

Alex Pedro disse...

Uau! Tomara. Então, como é para o blog, por experiencias anteriores, eu to experimentando sintetizar mais a história para que eu não use muita encheção de linguiça, e tente ir direto ao ponto mais vezes, sem ser demorado. Texto grande costuma assustar. O que é uma pena, mas eu te aviso conforme a história continuar. Quando eu comecei a imaginar esses personagens, era algo infantil. Ontem acabei escrevendo uma cena que envolvia pedofilia. Enfim, vamos ver no que vai dar e o que vão achar, né?
E eu não tinha idéia de que voce também gosta de escrever. MOtive-se e mãos a obra!

Marcelo Teixeira disse...

Quero só ver se continua mesmo no próximo domingo, estou curioso! =P

Alex Pedro disse...

Se eu não estivesse disposto a continuar, o faria só pra apagar sua língua, kkkkkkkkkk :D Saudade

Phê Brito disse...

com seu texto, eu pensei em Tolkien e na mitlogia criada por Joe Shuster e Jerry Siegel [super homem]
bem, não preciso dizer que com esse pequeno trecho postado por você, já me empolguei muito com as próximas partes, fora que eu realmente me senti no cenário descrito, algo que me cativa muito a continuar uma leitura.
passo por aqui semana que vem, e irie te xingar se não for postar até o fim :P

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