O Menino que não podia morrer... Capítulo 2

sábado, 14 de janeiro de 2012

| | |

Sentada no banquinho de quatro pernas ao lado da cama, Dona Lira bocejava.
“Ele vai morrer”, pensou, olhando para o menino deitado na cama. Parecia o palpite de alguém sem esperança, mas aquela era uma mera questão de intuição.
 - Teve alucinações durante a noite. “Não há descanso...” foi a única coisa que distingui no meio dos resmungos. Gilmar foi buscar medicamentos. Pobre homem, com este temporal por vir. – dissera à Hortência, uma jovem que, sentada na cama, trocava compressas na testa do menino.
 - Precisa tirar as roupas do varal, Dona Lira. Pegaram bastante vento, devem ter secado.
 Esquecera-se completamente. As roupas. Saiu do casarão sem pressa, com uma das mãos sempre apoiada em uma parede, como se precisasse escorar-se. Era apenas um gesto de uma mulher cansada, não propriamente debilitada. Lá fora estavam os varais cheios de lençóis e algumas roupas de crianças.
 Apanhou uma bacia num gesto automático e começou a tirar lençol após lençol sem nenhuma pressa. O céu era escuro. Olhou-o, e dele para a direção por onde a qualquer momento voltaria Gilmar trazendo comida. Distraiu-se com um lençol. Alguma ave havia se empoleirado e feito suas sujeiras. Suas mãos seguraram o lençol, apertaram-no num gesto de ódio, e ela observou seus dedos. Como estavam magros.  Parecia uma arvore seca, com manchas e galhos cheios de nós.
 Nunca tivera mãos bonitas e quando ela própria era jovem e ainda lhe havia alguma beleza, suas mãos já estavam calejadas pelo ofício nada delicado que lhe havia sido imposto por ser mulher. Admirou-as por um instante. Esfregaria novamente o lençol que estava limpo, não fossem as fezes do animal. Sentia pena de si mesma. Concentrada em suas mãos, assustou-se com um trovão alto.
 Arrancou os demais lençóis passou para dentro do casarão. Olhou novamente para a estrada. A chuva havia começado.
  Jamais ela partiu daquele lugar e agora era tarde. Passaria o resto de seus dias e, ao morrer, seria esquecida pelo mundo, e nunca teria existido.
(PRÓXIMO CAPITULO NA QUARTA FEIRA 18/01)
Licença Creative Commons

4 comentários:

Phê Brito disse...

Passei blog achando que hoje sairia a nova postagem e que bela surpresa tenho eu de ver que foi publicado ontem e que tem muito mais logo ali.
Agora, falando do texto, podia ter soltado um pouco mais, pois ficou muito misterioso e com isso ficou aquem no sentido da historia, o desenrolar. O bom, eu que quarta tem mais.

Alex Pedro disse...

É, estou animado. O terceiro capitulo eu conto mais da história dos personagens.

Adilson disse...

Qual será o destino de Gilmar e DªLira ? Com certeza esse menino vai dar uma reviravolta na vida deles... Ops, eu disse que não ia comentar nada, mas tinha que dar o ar da graça, mostrar que estou acompanhando. O mistério me encanta, gosto disso, me prende mais à leitura.
Quarta leremos mais.

Alex Pedro disse...

Oi Adilson. Então, tem mais personagens. No terceiro eu começo a entrar mais na personalidade deles. Apesar de ter planejado um final, a coisa esta tomando um caminho diferente do que eu havia pensado.

Postar um comentário

About me

About Me


Aenean sollicitudin, lorem quis bibendum auctor, nisi elit consequat ipsum, nec sagittis sem nibh id elit. Duis sed odio sit amet nibh vulputate.

Popular Posts

Contact Us

Nome

E-mail *

Mensagem *

Navigation-Menus (Do Not Edit Here!)

My Instagram