O Menino que não podia morrer... Capítulo 8

domingo, 19 de fevereiro de 2012

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          Hortência varria a casa, contra gosto. Gilmar havia partido para buscar a carroça e as duas senhoras pareciam preocupadas por qualquer razão.Julio e Maurício ofereceram-se para ajuda Hortência. Dona Lira se aproximou e bagunçou os cabelos dos garotos.

          - Eu e a Tia Rute vamos caminhar. Limpe a cozinha, pois ao voltarmos, prepararemos o jantar.

          Que mal havia em ajeitar a cama para perto do canto do quarto, para que pudessem colocar o colchão com o menino recém trazido de forma mais adequada?

          - Sim, Senhora.

          As velhas cochichavam sob o batente da porta, e Hortência as vigiava escondida. Partiram.

          Hortência subiu até a parte de cima da casa e, pelas janelas, viram as duas senhores desaparecerem entre as árvores.  Chamou Julio e Mauricio até a enfermaria.

          Os meninos seguraram a cama de ferro, leve como era, cada um de um lado ela levantou a cabeceira. O chão era de madeira, não queria riscar. Quando a puseram ao lado, percebeu algo embaixo da cama. Havia um desenho gravado com uma faca, embaixo da cama. Ela chegou perto, e percebeu que estava na altura do paciente. Os meninos indagaram, mas ela não soube responder. Aproximou-se e viu que eram letras que formavam o desenho. Sentiu ódio de si mesma por não saber ler.

          Hortência arrepiou-se. Havia um adulto atrás de si. Grande. Olhou assustada, mas não viu ninguém. Tocou com a ponta dos dedos na madeira gravada. Era uma caligrafia bonita, e havia letras da língua deles, e outras, dentro do desenho, que ela não conhecia. Sentiu um arrepio percorrer por seu corpo. Não havia outro adulto no quarto, no entanto, aquela impressão horrível a perturbava. Era como se tocassem seu ombro.

          “Põe a cama no lugar”, murmurou o menino olhando sério nos olhos dela.

          “Júlio?”, ela disse, mas o menino apenas repetiu, sem expressão. “Ponha a cama no lugar.”

          Mauricio espremeu os olhos e tapou os ouvidos. Gritou agudo. Hortência agarrou-o.

           “Calma, Mauricio, calma. Calma... tá tudo bem... Ta tudo bem.”

          Chegaram outras cinco crianças, assustadas e Júlio a olhava fixamente, sem piscar.

          - Vamos, me ajudem a colocar a cama no lugar. – disse ela, olhando para Júlio.  – Vamos, me ajude!

          Ele estava inerte. Ela deu-lhe um tapa na cara. Ele se assustou. Me ajudem a colocar a cama no lugar.

          Colocaram, e ela chamou as outras crianças para dentro e fechou a porta.

           “Não quero que falem sobre o que aconteceu aqui”.

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[CONTINUA NO PRÓXIMO DOMINGO, 25/02]
(e na quarta, um conto diferente)

4 comentários:

Adilson disse...

Aeeee Alex, ainda bem que eu não li de madrugada. Esse capítulo é digno de um conto de horror... arrepiou! rs

Phê Brito disse...

Prezado Sr. Alex:

Faltam quantos capítulos para terminar? Cê não sabe como eu tou me contorcendo de curiosidade pelo final e por ler tudo junto, rs

Aprenttice disse...

Parabéns Parabéns Parabéns , eu estou aqui imaginando como será o final , eu gostei muito mesmo .

Alex Pedro disse...

kkkkkkk eu gostei muito desse também. Eu tinha inicialmente imaginado algo trivial, na hora saiu isso

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