Dona Beuba e sua extraordinariamente irrelevante vida

quarta-feira, 28 de março de 2012

| | |




 

         Em algum lugar da Bahia, escondia-se a discreta cidade de Itaxoxota do Norte. Povoada por dois mil habitantes, Itaxoxota era muito conhecida por seus munícipes excêntricos. Dona Beuba era uma mulher famosa. Não havia em Itaxoxota quem não a vira com os peitos pra fora da roupa. Não por ser uma mulher da vida, mas por ser cachaceira mesmo.





       Dona Beuba chamava-se Izildinha de Gonzaga Herculana Conceição Imaculada de Jesus. Chamavam-na de Beuba porque certa vez estava beijando um poste de luz apaixonadamente, “Óli lá! Izildinha ta beuba” gritou alguém. O policial recém chegado em Itaxoxota se aproximou “Dona Beuba, têinha modo sinão vai prêsa”.

          - Eu to beuba, i a sinhora tua mãe ta...

          Bastou. Foi levada presa. Apareceu no noticiário local, ficou famosa na internet. O bordão, repetido pelo povo de São Paulo e do Rio de Janeiro era: “Si to beuba, num sei. Sei qui to feliz! Rá-rá-rá” Olhou pra câmera com olhar obsceno, e é imitada até hoje no sudeste pelo que chamam de “bichas pão-com-ovo”.

          Dona Beuba tinha 33 anos. Era meio barriguda. Tinha dinheiro pra cachaça porque era aposentada por invalidez. A mão esquerda dela fora decepada numa maquina fazer caldo de cana. Foi trágico, mas depois ela até gostou da idéia.

         Com um cotoco, não precisava mais pegar filas, e como era canhota, nunca mais precisou escrever. O que era um alivio pra quem precisasse ler o que Izildinha fosse escrever. Um chimpanzé tinha mais coordenação motora que ela.

          Beuba tinha um sonho. Ver sua filha, Cleonice casada com um bom homem. Se orgulhava muito de sua filha, virgem, e sabia de seus sonhos inocentes com o príncipe encantado. Seu sonho era casar Créu com Helinho, filho de um fazendeiro da região. Créu era bonitinha e meiga. Tinha suas chances.
      
          Beuba não sabia quem era o pai de Créu.

          Beuba, alias, não sabia de muita coisa. Afinal, estava sempre “Beuba”, xingando as latas de lixo da rua, que pareciam segui-la, e chamá-la de pinguça.

         A maior decepção de Beuba era saber que Weliston seu filho, se mudara pra São Paulo, e colocara silicone industrial no corpo, para virar mulher. Beuba não gostava de bichas. Pra ela, as bichas eram obra de Satanás, e ela dizia sempre que podia, para sua filha Cleonice, que “Mulé que chupa grêlo vai pro inferno quâno morre”.

          A verdade é que ela na juventude fugira constantemente para Serro Azul com suas amigas e alugavam quartos em hotéis baratos e interagiam libidinosamente. Beuba não se envergonhava, porque achava que ninguém sabia disso, mas era um engano seu.

          Elinete, filha de dona Creuza, antes de morrer de dengue confessou a sua mãe e ao padre que ela e Izildinha foram namoradas, e que Izildinha era o homem da relação.

          Dona Creuza sempre quis ver Beuba morta, por ter levado sua pobre filha para os caminhos perversos do belzebu-monstro, e feito ela virar um sapatão. Elinete era uma dondoca, e a verdade é que ela havia namorado todas as sapatonas de toda aquela região da Bahia.

          Outrossim, era por isso que Beuba condenava a sapanotagem. Sua antiga namorada a traíra com mulheres muito melhores que ela. Ficou beuba, como qualquer beubo que se vê por aí, pela chifredão da vida...

[QUEM GOSTOU, E PUDER RECOMENDAR O BLOG, E COMENTAR, VAI ME DEIXAR BEM FELIZ. ASSIM EU POSSO INTERAGIR E SABER DAR UM FOCO MELHOR NAS PRÓXIMAS HISTÓRIAS]

CONHEÇA OUTROS PERSONAGENS DE ITAXOXOTA

2 comentários:

Adilson disse...

Itaxoxota parece ser uma cidade grande, em extensão, pois as personagens que lá vivem nunca se encontram. Seria interessante eles interagirem Beuba, Jennifer, Inácio, Satanilda... Pense nessa hipótese. Ah, queria saber se na cidade não existe nenhum professor que mereça uma crônica, rs. Independente de meus palpites, gosto das histórias e da trilha sonora escolhida a dedo. É só, por hoje.

Alex Pedro disse...

Então, mas a dona Creuza é a beata que apareceu na segunda crônica, e a dona Beuba é a mãe da santinha Créu. Eu tenho a idéia de ir apresentando e fazer algumas sagas curtas com eles. Não tenho ainda tanta idéia porque os personagens estão surgindo na hora que sento pra escrever.

Postar um comentário

About me

About Me


Aenean sollicitudin, lorem quis bibendum auctor, nisi elit consequat ipsum, nec sagittis sem nibh id elit. Duis sed odio sit amet nibh vulputate.

Popular Posts

Contact Us

Nome

E-mail *

Mensagem *

Navigation-Menus (Do Not Edit Here!)

My Instagram