A história da Santinha Cleonice, ou simplesmente a Créu dos Solitários

terça-feira, 6 de março de 2012

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ATENÇÃO: ESTE CONTO TEM LINGUAGEM E HUMOR APELATIVOS E PODE OFENDER UM LEITOR DESAVISADO. DADO O RECADO, BOA LEITURA!
 

         Em algum lugar da Bahia, escondia-se a discreta cidade de Itaxoxota do Norte. Povoada por dois mil habitantes, Itaxoxota era muito conhecida por sua amável população. Entre as bondosas pessoas, havia Cleonice, ou Créu, como diziam os de pouca instrução. Era dita como uma moça “Amada por Deus porque dava com alegria”.

          Créu era uma romântica. Assistia a muitas novelas, e sonhava sempre com os lindos atores que nem imaginava serem gays. Guardava-se para seu príncipe encantado, todavia, preparava-se, incessantemente para a sonhada noite da consumação.

          Créu era virgem. Moça pura e amorável. Créu gostava de ir a missa, Créu gostava de trabalhar com as senhoras bordadeiras, e Créu gostava de chupar um pau. Sim. Créu era moça altruísta.

          Aos 12 anos de idade viu escondida sua mãe com a boca devidamente ocupada e ouviu do açougueiro: “Deus lhe dê sempre saúde, minha frô.” Ele era grato. Aquilo era um gesto de incomparável gentileza, ela percebeu. Porque todos os homens sempre davam tudo de melhor para sua mãe. Nunca lhes faltara nada.

          Mas Créu era especial. Créu não queria apenas ser gentil com os bem sucedidos, como sua maínha. Foi então que decidiu fazer tal gentileza pela primeira vez: Zézim, hoje conhecido como Zelão da Pipoca, era um menino e estudava com Créu na escola da cidade, e ele lhe havia ajudado a estudar. Foi um momento mágico em sua vida. Ajoelhou-se sem nada dizer e abaixou as calças do menino.

          Então, aos 13 anos, já fazia visitas freqüentes no asilo da cidade, e percebeu que os velhos ficavam felizes. Sempre lhe davam algum doce depois. Estes doces ela dava para outras crianças.

          Créu certa vez, já aos 14 anos, viu o mendigo chorando na calçada. Conversou com ele, ouviu suas tristezas, e ofereceu-lhe o serviço. O homem a pediu em casamento. Ela, por sua vez, viu-se obrigada a ir até o fim, visto que já havia começado, mas estando contrariada, a partir daquele dia, passou a exigir que os homens fossem até uma pia e o lavassem antes que ela começasse.

          Ainda aos 14 anos, Créu fora tentada a deitar-se com o jovem Adamastor. Adamastor era muito feio, mas com seus 17 anos, era um moço que provocava muitos suspiros, em parte por ser musculoso, em parte por ser sabido ser dono de um equipamento de tamanho e feições surpreendentes. Era apenas isso que todas queriam dele, e ele sofria.

Então naquela tarde de verão, entre as pedras, Créu acariciou o rosto do rapaz e, absolutamente comovida com sua tristeza, caiu de boca. Pela primeira vez foi difícil. Ela não apenas não conseguia chegar na metade, mas sentira dor no maxilar.

Tendo sido chupado com afeto pela primeira vez em sua vida, Adamastor se apaixonou e quis beijá-la. Créu nunca tinha sido beijada. Era moça pura e ingênua. “Aaaaaaai Adamaxtô...” ela gemeu quando ele chupou seu pescoço. Cheio de carinho e amor, Adamastor lhe respondeu “Deixa eu chupar você também, nêga, deixa?”

Créu deixou. Ah, pobre da menina, teve sirico-ticos, e calafrios. Então ele, carinhoso que era, disse. “Vem meu benzinho, quero comer você, te deixar toda laceadinha!” , naquela hora, no ombro esquerdo um diabinho disse, “Libera pro rapaz, fía, libera que é goxtchoso”. Era pecado, ela tinha que casar virgem, não queria passar a eternidade no inferno. Eis que do lado direito um anjinho murmurou, “libera o bumbum que o selinho continua como tá, fía. Vai na fé!”

Ela se virou, fechou os olhos, e a coisa toda aconteceu. Ah, como foi gostoso, mas Adamastor ficou um pouquinho sujo, mas nada que o incomodasse. Sorte de quem veio depois, pois Créu passou a andar sempre limpa e preparada para qualquer um que precisasse de um pouco de consolo sincero e inocente.

Muitos apreciavam sua generosidade e seus talentos, mas ela ainda sonhava com um príncipe encantado vindo de São Paulo pra casar com ela, e só pra ele ela entregaria sua pureza e castidade.

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3 comentários:

Phê Brito disse...

Noooooooossa!!!!!!!
Eu rialto aqui!
e a música, ajudou a lembrar de uma música que ouvi na infância, por causa da novela Tieta.

Mas quer saber, o que realmente quero? Que termine logo de escrever O Menino! ha ha

bjo

Adilson disse...

A idéia do fundo musical foi ótima, deu o clima do ambiente.

Raphael Dagaz disse...

hahahaha... Gente, ela existe... mas não vou citar nomes

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