O Menino que não podia morrer... Capítulo 11

domingo, 11 de março de 2012

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          Quando Dona Lira partira para a cozinha, Tia Rute permanecera no quarto por mais um minuto até respirar fundo, desafiada, e levantar-se, limitadamente, e andar devagar até a porta, cuja mão áspera e enrugada envolvera vagarosamente a maçaneta e a abaixou. Fazia onze dias que ela não saia do quarto, não fosse para banho, e necessidades, sempre sendo rendida por Dona Lira.

          Pelo corredor ela andou lenta, e olhando fixa para a direção da cozinha. Seus passos eram silenciosos, mas o assoalho rangeu, e com isso, Hortência, igualmente sorrateira colocara a cabeça para fora de um dos quartos e vira a velha andando. Angustiada, pelas pontas dos pés, ela andou até a janela do quarto em que estava, e ao passo que as crianças corriam, Gilmar cortava lenha, com péssimo humor. Ela fez-lhe sinal, mas ele não notara. Atirou então um de seus sapatos.

          Gilmar aproximou, e ela apenas moveu os lábios “As duas deixaram o quarto”.

          Ao saber disso, Gilmar correra até sua cabana, pegara um pedaço grande de papel e um giz de cera, e voltara até a mesma janela, e a pulara sorrateiro. Com passos felinos, ele e Hortência cruzaram o corredor deserto e entraram no quarto aonde os dois meninos repousavam.

          O rapaz debruçou-se embaixo da cama, tateou a marca e esticou o papel e começou a, silenciosamente, registrar o baixo relevo na folha que anteriormente havia embalado qualquer alimento. Ao terminar, batera com as costas na cama, e houve um estrondo.

          Da cozinha, Tia Rute e Dona Lira ouvem. Correm até o quarto. Quando Dona Lira se aproxima do batente ela vê: Gilmar se levanta do chão, devagar e nos braços ergue o menino que havia encontrado no mato, e Hortência levantando o colchão. Ele o carrega até outro quarto, com seis camas, e o deita em uma. Hortência lhe entrega o colchão. Ele o acomoda e coloca o menino, quando se levanta, Tia Rute passa pelo batente do quarto.

          - O que é isso que você tem guardado?

          - Como disse? – indagou o rapaz, desconversando.

          - Nas costas. Quero ver.

          - A senhora não iria gostar...

          - Isso cabe a mim julgar.

          - É verdade, mas eu não faço a menor questão de te mostrar. Se me dá licença, preciso cortar mais lenha para o fogão.

          Saiu do quarto. Dona Lira o seguiu.

           - Gilmar, peça desculpas pra tia Rute. – ela parecia preocupada.

           - O que foi que sumiu? – indagou ele, ríspido.

           - Do que fala? – ela não entendeu. Havia uma nota de súplica contida em sua discrição.

           - Ela desconfia de mim, o que sumiu?

            - Não sumiu nada, meu querido. Apenas peça desculpas, não quero que ela fique com raiva de você.
   
           - Não ligo.
  
           Dona Lira tocou no braço de Gilmar.
    
           - Tudo bem, meu querido. Mas não seja ríspido com ela. Ela é velha.
            
          Gilmar saiu da cozinha. Ela olhou para suas costas, musculosas e suadas. Ela o desejava, mas sabia que era velha para ele, e ele era algo que jamais seria seu.

 [A PARTIR DA PRÓXIMA SEMANA O MENINO QUE NÃO PODIA MORRER SERÁ POSTADO AOS SÁBADOS AO INVÉS DE DOMINGOS]
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1 comentários:

Adilson disse...

Ah Dª Lira, danadinha!

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