O Menino que não podia morrer... Capítulo 12

sábado, 17 de março de 2012

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          Sem muita satisfação, Gilmar montou no cavalo e partiu. Pela estrada, ele percebeu que terra vibrava com as passadas do cavalo, e percebeu as árvores chacoalhando. Ouvira som de urubus. A seu redor, sombras gigantes das aves sob um sol quente.
          Quando olhou para cima, vira onze crianças, aparentemente mortas, voarem como a ave, poucos metros a sua distância, boquiaberto com o choque, uma gota de sangue quente pingou em sua testa e, no susto, sacudira a cabeça. Era apenas uma ilusão.
          Minutos depois ele estava na praça da cidade, a caminho da igreja.
          Estava aberta. Poucos fiéis. O padre estava diante do altar. Ele se aproximou do altar e pela primeira vez abriu seu desenho. Uma corrente de ar forte escancarou as portas da igreja, apagando velas pelo corredor, e o círio pascal, que fez com que o padre imediatamente olhasse para o rapaz e se detivesse no desenho no papel.
          “Isso é hebraico...”, murmurou o Padre, idoso. Olhou para Gilmar, intrigado. “Onde encontrou?”
          - Estava gravado no taco, embaixo da cama do Laio.
          - O menino que não acorda?
          Um coroinha passou pelo altar, cabisbaixo, dobrando a toalha bordada, e recolhendo os castiçais. É o menino que Gilmar recolhera na floresta. Encara-lhe com severidade e vira-se. Gilmar se assusta, e ele olha de volta. Não se tratava da mesma criança. Devia estar ficando louco.
          - O desenho das letras é bonito, não é? – disse o rapaz.
          - Sim, mas eu achava que Tia Rute era apenas uma benzedeira. Gravar oração em hebraico no chão é muito estranho.
          - Mas hebraico não é uma língua boa?
          - Não existe língua boa ou ruim, meu filho. Existem palavras, elas sim têm poder, carregam intenções, e podem ser classificadas de alguma maneira. Não sei o que está escrito aqui, meu filho, mas sei quem pode me ajudar a ler isso aqui. – Olha para o círio pascal, com um suave fio de fumaça. Toca na testa de Gilmar e nela desenha uma pequena cruz. Volta a atenção para o círio pascal, e olha depois nos olhos do rapaz. – Evite a raiva. Evitá-la é uma forma de equilibrar a mente, e neutralizá-la do medo que o mal planta no coração. A ameaça quando vem, vem com a gente tendo medo ou não. Não tê-lo é um passo para que a inteligência fique livre durante a ameaça. Vá com Deus meu filho.
          O padre toma o papel das mãos de Gilmar e se retira. O rapaz olha para a imagem de Nossa Senhora, se curva, e põe-se a rezar, para minutos depois, partir de volta para o Lar.

[SABADO QUE VEM TEM MAIS - 24/03]
PESSOAL, NÃO ESQUEÇAM DE DEIXAR COMENTÁRIOS, PRA EU SABER SE ESTÃO ACHANDO BOM, LEGAL, UMA PORCARIA. PRA EU TER UMA IDÉIA DE ONDE EU ACERTO, ONDE EU ERRO, ENFIM.

5 comentários:

Adilson disse...

Sei que o capítulo anterior é precursor desse, mas esse ficou show, a parte deixada no ar, do garoto coroinha, foi ótima, deu novo ânimo e fôlego à história. Parabéns.

Alex Pedro disse...

É que agora a história começa a acontecer de vez :D agora até eu estou mais animado em escrever.

Unknown disse...

Estou acompanhando, mas esse capítulo em especial (por enquanto0, gostei da citação sobre a raiva.

Adilson disse...

percebi. o que era para ser postado no domingo, já postou no sábado. No aguardo do 13.

Phê Brito disse...

Nossa, eu visualizei essa cena das crianças mortas voando e fiquei arrepiada.
E fiquei esperando, que o restante desse capítulo, fosse ser mais sobrenatural e que teria mais terror.
Mas vamos lá, continue, minha curiosidade continua muuuutito aguçada, rs

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