O Menino que não podia morrer... Capítulo 13

sábado, 24 de março de 2012

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          Tia Rute não gostara nada da saída intempestiva de Gilmar, particularmente porque aquele dia iriam receber uma visita importante. Senhor Heitor viria para buscar o menino Donizete. Partiria com o menino, que a partir de então, chamaria de seu filho.

          O homem chegou em um carro, e nele as duas senhoras subiram com o garoto, e partiram para a cidade. Hortência nunca antes vira um automóvel.  

          Poucos minutos depois da partida, ela percebera um forte alvoroço entre os meninos. Na enfermaria e no quarto, os dois meninos deitados e desacordados suavam, e os membros agitavam-se como se uma corrente elétrica os percorresse de tempo em tempo. Fora assim por um tempo. Desorientada, Hortência corria de um quarto para o outro.

          Laio parara primeiro. E ficou imóvel. Como um espirro de gripe, cuspiu-lhe sangue no rosto. E os músculos do rosto começaram a se contorcer. Lágrimas escorriam pelos olhos fechados daquela criança imutável. Muitas. E o corpo vibrava, como se houvesse uma tentativa de choro contida de algum modo extraordinário.

          “Tia! Tia!” gritou um dos meninos que estavam no quarto com o menino trazido por Gilmar. Angustiada, correu até o outro quarto, e o menino estava de olhos abertos e a olhou com uma força que a arrepiou por inteira. Suas pupilas eram de um negro profundo, e ali ela mergulhara por um deslumbre aterrorizante aonde um Ser imenso a erguia do chão e com os braços, a partia viva, dividindo-a em duas partes. 

          “HORTÊNCIA!”, gritou Gilmar, fazendo-a sair de um estado de choque. Ele olhou e o menino estava olhando para ela. Ela correu até o outro quarto. Laio estava adormecido, calmo. Suado. Ela enxugou sua testa.

          “Os dois começaram a se sacudir juntos...” dissera um menino, apavorado. O orfanato pareceu estar em estado de pânico.

          - Esse sangue? – perguntou o rapaz. Ela tocou no próprio rosto e percebeu o cuspe do garoto. Ela não respondeu. Ficou enxugando Laio, transtornada.

          Gilmar fora até o outro quarto. O menino estava sentado, olhando para os outros, sorrindo, feito qualquer outra criança. Gilmar se agachou, e o encarou. O menino sorriu.

          “Calma, elas não saberão. Todos eles vão dormir daqui a pouco e não se lembrarão de nada.”

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2 comentários:

Phê Brito disse...

Agora sim eu senti todo o horror que eu estava esperando *o*

Quero mais!

Adilson disse...

Foi muito rápido. Gilmar devia ter demorado mais para chegar. O menino tinha que ter proporcionado um transe coletivo. Aí o bicho ia pegar, rs.

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