A Lenda do temível Saci de duas pernas

quarta-feira, 11 de abril de 2012

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          Em algum lugar da Bahia, escondia-se a discreta cidade de Itaxoxota do Norte. Povoada por dois mil habitantes, Itaxoxota era muito conhecida pelas lendas folclóricas regionais. O terror da cidade era o violador das donzelas, o temível Sací de duas pernas.

          Sua primeira aparição catalogada foi no meio da década de trinta. A vítima fora Joãozinho. Era um rapaz baixinho, protestante, óculos fundo de garrafa, voz fina, recém formado em advocacia. Ele andava pela cidade, certa vez, meia noite naquela sexta-feira treze, noite de luar, quando olhou para a lua.

          Estava próximo de uma árvore. O paralelepípedo, branco pela luz da lua, mostrava sua silhueta, recortava a sombra retorcida dos galhos da árvore e, de um segundo para o outro, um homem baixo, com duas pernas: uma comprida, com a qual ele se equilibrava, e outra menor e menos grossa, quase colada com a outra, chegava até o meio da coxa, ele olhou para trás.

          “Meu Deus, é um pênis”. O malandro balançou a cobra, pesada que era, e deu uma gargalhada quase infantil.

          Que dilema. Deveria Joãozinho correr do bandido? Joãozinho pensou em correr, mas decidiu por sua vida nas mãos de Jesus, e tapou os olhos. Sentiu um vento forte, e começou a girar, e então... “Ai como dói, meu Deus, pára, pelo amor de Deus, pára, ai que delícia”. O malandro botou a cobra entre as pernas de Joãozinho e depois mandou ver.

          João acordou na manhã seguinte do outro lado da cidade. Disse que correu, mas que o bandido era selvagem, e o perseguira, e o sodomizara contra sua vontade. A descrição era a seguinte: rapaz negro, um metro e oitenta e dois, magro, nu, com apenas a perna esquerda, um pênis imenso e um gorro vermelho.

          Na mesma época, dois anos depois, aconteceu um novo incidente. Dona Juciara, uma senhora de cinqüenta e poucos anos, viúva, tinha saído certa noite de sexta-feira treze para fazer uma simpatia para que seu filho engravidasse sua esposa, depois de quinze anos de casamento. Vivia no bairro, na época chamado de Jardim do Éden. Juciara estava na encruzilhada, deixando a cachaça e fazendo a mandinga quando o rapaz negro apareceu.

          Foi para o seu pênis que ela olhou: “Eita nóis...”.

          - suncê é o capeta?

          Ele riu, segurou a bengala com uma mão e bateu com ela na outra mão. A senhora ouviu o tapa pesado daquilo.

          “Creindeuspai”... E saiu correndo. Ele ficava aparecendo, por todo lado, perseguindo ela, rindo, balançando a caceta. E ela com medo, ele às gargalhadas.

          Então ele apareceu bem na frente dela, em um redemoinho, e ela começou a girar, e a saia voava, e ele puxou sua calcinha de ladinho e, girando, voando, mandou ver.

          Dona Juciara acordou no banco de uma praça, no Jardim do Éden, exausta e cheia de assaduras. Pobre da mulher. Voltou para sua casa mancando. Foi na polícia, e depois de virar piada, mudou de cidade, onde nasceu seu outro filho, um menino pretinho, com uma perna só e, mesmo bebê, uma bengalona imensa.

          Ela o levou para o mato, e imediatamente um redemoinho de areia e folhas secas o levou embora. A mulher se benzeu e nunca falou sobre isso pra ninguém.

          Com o tempo, a freqüência dos ataques foi cada vez maior, e, ao passo que pessoas em noites de sexta feira treze andavam pelas ruas temerosas, havia também os curiosos, turistas e carentes que andavam por aí a espera do ser mítico.

          Após muitos casos, Jardim do Éden mudou para Calça do Saci. Região muito popular da cidade, com suvenires artesanais dos mais curiosos.

          Na década de setenta, o Saci apareceu apenas uma vez. Foi em setenta e dois, numa sexta-feira treze qualquer. Faria dois anos que não se ouvia falar em incidentes(se bem que a verdade é que muita gente transava com o Saci e não contava nada pra ninguém), e Malva fora vitimada.

          Malva era jovem, adolescente. Tinha saído para namorar com o jovem Claudionor, que negou fogo sob o argumento de que casaria virgem. A menina voltava para casa, quando ouviu som de palmadas. Olhou para o lado e viu ele ali, batendo com a estrovenga numa das mãos.

          Ah, ela não perdeu tempo, agarrou o negrinho, e ele começou a girar, e brincaram. E o Saci comeu a menina, na frente e no verso, e tentou deixa-la, mas ela não cansava. Ela não o largava. Ele ficou desesperado. Ela não parava, queria sempre mais. Ele começou a gritar, girava, tentava jogar a garota longe, mas ela ficava agarrada no pinto dele.
          O Saci deu um soco na garota e saiu correndo. Foi para bem longe de Itaxoxota. E por quase dez anos permaneceu desaparecido. Ninguém nunca soube porque.

3 comentários:

Pandumiel Tunmarë disse...

O Saci mais desejado do mundo!
KKKKKKKKKK

Phê Brito disse...

eu ri muuuuuuuuito
não esperava ler algo tão engraçado.
tão cada vez melhor as histórias de Itaxoxota

Fernanda disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkk saci safado! e esse povo de itaxoxota mais safado ainda! kkkk adorei

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