O Menino que não podia morrer... Capítulo 17

sábado, 21 de abril de 2012

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          - Minha nossa Senhora! Sêu Schneider... – murmurou a empregada. 

          - Anamaria, - Bartô Schneider começou – deixe-nos a sós. Limpe isto depois. Obrigado.

          Entendendo a gravidade da conversa, a mulher partiu imediatamente sem pedir licença. Os dois permaneceram em silêncio, refletindo.

          - O que pensa sobre isso, Padre? – indagou Sr. Schneider.

          - Honestamente? Isso é grande demais pra se considerar uma impressão imediata. Teria isto alguma relação com aquelas macumbas africanas?

          - Envolvendo Baal e Beliel? Pouco provável. Me parece mais algo como um...

          - Pacto? – interrompeu o padre. – Não há morte. Ou, não houve. 

          - Mas há uma súplica por conhecimentos obscuros. Uma troca, aparentemente, usando o menino como paga.

          - Pactos não envolvem terceiros!

          - Mas oferendas, sim.

          Um silencio constrangedor abateu aqueles dois homens velhos.

          - Mas se fosse holocausto, ele estaria morto, certo? Como quando matam animais...

          - Padre Onório, não sei dizer. O que sei é que em se tratando de magia negra, cada “ser” tem um valor um poder. Matam aves para uma coisa. Animais de quatro patas, com outros propósitos. As vezes materiais e afetivos... Obsessões. Mas sacrifício humano nunca é para entidades pequenas.

         - Bartô… - ele respire fundo, olhando para a janela. Ainda com o olhar perdido ele segue – então você realmente acredita que pode ser isso? Sacrifício?

          - Não, eu digo que isto poderia ser uma possibilidade. Ademais, o amigo padre deve também considerar que coincidências acontecem, e fogem dos planos do Pai. Esta casa poderia conter tal gravação antes mesmo de haver um orfanato ali. Pode uma coincidência, armada por entidades, ou irrelevante ter feito com que a cama estivesse em cima de tais palavras.

          - De fato. Os demônios são antigos e ardilosos. Podem confundir as pessoas.

          - Particularmente estes. – murmurou o judeu como se pensasse alto.

          - O que tem a dizer sobre eles, Bartô?

          - Honestamente, sempre evitei entende-los. Sou humilde o bastante para entender que são antigos demais, outrossim, sábios e infinitamente mais calculistas, maliciosos, rancorosos e temperamentais do que eu e, sendo mais objetivo, que minha espécie. Tolo é o homem que se acredita capaz de barganhar com eles.

          O padre olhava para os próprios sapatos. Precisava entender o que estava acontecendo.

         - Você me dá licença? – disse ele.

         - Onório, sê cauteloso. Se realmente haver algum sentido em sua suspeita, entenda que se trata dos príncipes.

          Encararam-se. O padre piscou para o amigo e partiu.

1 comentários:

Adilson disse...

Dou um doce para quem souber para onde o Padre vai... rs.

Capítulo perfeito.

acompanhando.

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