O amorzinho perfeito e chato de Bunitinha e Helinho

quarta-feira, 16 de maio de 2012

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         Em algum lugar da Bahia, escondia-se a discreta cidade de Itaxoxota do Norte. Povoada por dois mil habitantes, Itaxoxota era muito conhecida pelo clima tropical, que deixava no ar aquela brisa suave que erotizava os mais velhos, e apaixonava os mais jovens. Assim era com Dona Bunitinha e Helinho.

          Hélio era um menino bonzinho. Todo mundo achava ele um menino bonito. Todo mundo admirava suas notas na escola. Todo mundo dizia que seus dentes eram bonitos. Todo mundo dizia que ele seria doutor. Hélio era um menino bonzinho.

          Bunitinha era uma menina boazinha.Todo mundo achava ela bonita. Todo mundo admirava suas notas na escola. Todo mundo dizia que seus dentes eram bonitos. Todo mundo dizia que ela seria doutora. Bunitinha era uma menina boazinha.

          Helinho era popular na escola. Todas as meninas queriam ficar com ele. Ele era um menino que gostava de esportes, então tinha um corpo bonito e as meninas mais assanhadas tentavam seduzi-lo de formas libidinosas, sempre sem sucesso, o menino era doce, puro e gentil,e não cedia à sem-vergonhices.

          Bunitinha era popular na escola. Todos os meninos queriam ficar com ele. Ela era uma menina que gostava de esportes, então tinha um corpo bonito e os meninos mais assanhados tentavam seduzi-la de formas libidinosas, sempre sem sucesso, a menina era doce, pura e gentil, e não cedia à sem-vergonhices.

          Certa manhã de uma primavera, Bunitinha saiu para passear. Na praça, comprou algodão doce, e andava, balançando o bracinho esquerdo, feliz e sorridente, toda perfeitinha.

          Certa manhã de uma primavera, Helinho saiu pra passear. Na praça, comprou pipoca e andava, balançando o bracinho direito, feliz e sorridente, todo perfeitinho. Mas algo aconteceu. Acidentalmente sua mão direita bateu delicadamente na mão esquerda de Bunitinha, que olhou para ele, em câmera lenta.

          Um vento forte bateu no florido ipê da praça, e as flores rosa voaram ao redor deles, como numa chuva. Era a hora da missa, e o sino da igreja começara a tocar. Os dois ficaram se olhando, e sabiam que tinham encontrado o amor da vida.

          O menino mais perfeito encontrara a mais perfeita menina. O que poderia ser mais sem graça do que isso?

          E era aquele namoro sem graça, bobo, sem tesão, sem afeto, e repleto de “nhê-nhê-nhê”. Todo mundo tinha inveja, o que era uma tolice. Fizeram amor no terceiro ano do namoro.

          Eles não se acariciavam. Deram um abraço, insosso, com ela apoiada em pé numa árvore, e ele começou a encaixar o pênis na garota. Estavam no mato. Ele enfiou. Ela gemeu, e ele tirou imediatamente, com medo de tê-la ferido. Ela o empurrou no chão e sentou no cacete do menino e começou a rebolar feito uma doida. Não parava mais.

          “Oxi, minha Bunitinha, que meu pau ta ardendo.”

          “Ai, Helinho, é bom dimais”.

          E foi a primeira vez que ele a agarrou pela cintura, com vontade e fungou no pescoço dela. Foi a primeira vez que ela sentiu algum prazer ao beijá-lo.

          Acharam tão bom, mas tão bom, ela começou a dar pra todo mundo. Helinho começou a desvirginar tantas meninas quanto pode. Alguns pais o juraram de morte, e ele resolveu fugir. Bunitinha fugiu com ele.

          Em Salvador, começaram a assaltar bancos, e dar golpes em turistas desavisados. Foi em Salvador que os dois, outrora o menino perfeito e a menina perfeita, tiveram suas primeiras experiências homossexuais.

          Sim, as primeiras, porque no Rio de Janeiro essas experiências já eram incrivelmente avançadas. Helinho não podia olhar um rapaz musculoso que já começava a engolir seco. Adorava homens negros com suas malas avantajadas.

          Bunitinha, por sua vez, no Rio de Janeiro, havia cortado os cabelos curtos, usava desodorantes masculinos, tinha brincos e piercings e parecia um moleque skatista. Era mais macho que Helinho.

          Helinho virou ator, e foi por anos o amante de um diretor de telenovelas., ficou famoso, e foi um galã cobiçadíssimo, muito amigo de Jennifer Cristinny. Bunitinha começou a cantar MPB, e acabou ganhando destaque da mídia. Adorava mulheres mais velhas, e seduziu todas as apresentadoras de televisão quanto pode. “Lingüinha de veludo”, era seu apelido no meio artístico.

          O casal perfeito, no fim, realmente deu certo na vida. Os perfeitinhos, chatinhos, nada mais eram do que vulcões ativos que esperavam pela primeira oportunidade de lambuzar o mundo com sua lava quente, úmida, e devassa.

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