Isilda Pé-de-cabra: A serial-killer do agreste

quarta-feira, 20 de junho de 2012

| | |


Em algum lugar da Bahia, escondia-se a discreta cidade de Itaxoxota do Norte. Povoada por dois mil habitantes, Itaxoxota era muito conhecida por crimes famosos. Anos e mais anos após a era do cangaço surgira Isilda Pé-de-cabra. Paraibana brava, a serial killer mais famosa de todo o norte e nordeste do Brasil.

Isilda Pé-de-cabra era o nome escrito com garranchos em uma série de oito crimes em Itaxoxota e arredores. Severino da Silva foi encontrado com os bagos estraçalhados. Vivo e castrado, nunca mais bateu em sua esposa. Disse que a agressora vestia uma camisa com a bandeira da Paraíba, e uma touca ninja vermelha no rosto.

- Isilda Pé-de-Cabra, a justiceira do agreste dessa vez vai deixar o estrume vivo, mas passa o recado pra frente. Se mais um homem bater numa mulher, ele há de conhecer a justiça de Isilda, que é mulher e é mais brava que a justiça dos homens.

Severino contou para os policiais, que começaram a procurar a mulher baixa, invocada e de sotaque paraibano. Severino ficou traumatizado. Um mês depois, Lilico Pereira deixara a mulher hospitalizada, e, enquanto assistia Vasco e Flamengo na televisão, viu aquela silhueta desengonçada entrar pela sala. Pé-de-cabra na mão.

Esse morreu. Quebrou costelas, a cabeça. E os bagos, evidentemente. Encontraram um bilhete.

“Essa mulher não vai mais bater na outra. Isilda”.

Qual seria o passado dessa mulher vingadora?

Josualdo dos Santos tinha deixado sua namorada com hematomas por ter falado bom dia para outro homem. Em uma madrugada ele voltava para casa, numa estrada de terra isolada, quando surgiu aquela figura exótica em seu caminho.

- Êtcha, qui porra é essa? – disse ele, surpreso.

Ela mostrou o pé-de-cabra. O rapaz não se assustou. Segurou o pé-de-cabra e os dois ficaram rosnando um para o outro. A mulher deu uma cabeçada nele e levantou o pé de cabra. Ele segurou os braços dela e ela soltou seu instrumento. Ele começou a agredi-la, e tentou violentá-la.

Isilda travou buceta pra nada entrar. Ele batia nela e ela ria. Isilda era prevenida. Ela tinha um estilete colado na barriga. Enfiou várias vezes nas costas de Josualdo. Ofegante, o homem tentou fugir, mas Isilda tinha que deixar sua marca. Pegou seu pé-de-cabra e estraçalhou as jóias do homem. Morreu ali na estrada. Ali havia o bilhete.

“Já que vossa senhoria pede cesta básica, eu cobro com sangue e funciona. Esse não bate mais em mulher. Isilda”.

A polícia de toda a Bahia estava em polvorosa. Programas de TV noticiavam que a assassina do pé-de-cabra matava homens com modos rudimentares, sempre esmagando os testículos, com eles vivos, a pancadas.

Uma menina de doze anos vendia a própria dignidade numa estrada próxima a Serro-Azul. Lá estava Isilda, embrenhada no mato, esperando a hora em que a criança voltaria para casa. Lá pelas três da manhã ela viu a menina voltar mata adentro. Acompanhou-a. Chegando em casa, seu pai a esperava, para também possuí-la.

A menina, obediente, já chegava em casa pronta para acariciar o cacete de seu pai, que depois de tudo a fazia preparar-lhe comida para então lavar-se da sujeira de todos os homens que a haviam molestado. Era natural para a menina. Mas logo cedo a menina saíra para voltar à estrada, e Isilda fora visitar seu pai.

O homem assustara-se ao encontrar aquela mulher naqueles trajes estranhos.

“Já ouviu falar de mim?”

Ela mostrou o pé-de-cabra. O homem se assustou.

- Vô matá ocê, toco de amarrá jegue. – ele gritou. Correu agarrar sua espingarda mas ela bateu no braço dele, que gritou.

- Não me matar! Nem vai mais deixar sua filha na estrada.

Ela largou o pé-de-cabra no chão e o atacou com chutes, tantos quanto pode, por todo o corpo. O homem não conseguia fazer nada.

- Larga a mão de ser preguiçoso e usar a filha como mulé, como escrava e como mantedora. Toma vergonha nessa cara seu cabra vagabundo preguiçoso. Isilda Pé-de-cabra ta te vigiando num é de hoje. Se isso não acabá, Isilda arranca seus bago foca cum cê vivinho e te faz ingulí tudo.

Partiu.

Matou outros três. Caçada, investigada, e sempre misteriosa. A última vítima fora um homem velho, que possuía uma menina de oito anos, filha da mulher com quem havia casado a pouco. Era o homem que vinte anos antes a havia violentado pela primeira vez, e que seguiu por anos terríveis ferindo-a, e deixando a pobre garota com um ódio irreprimível e incontrolável.

Isilda era o nome de sua mãe, que morrera enfartando, logo que casou, e a menina, sem família, ficou a mercê do padrasto. Sentia ódio, nojo, mas sempre tivera medo dele. Em seu último encontro, entrou sem preocupar-se em ser discreta. A criança chorava silenciosa, com medo que ele lhe espancasse. A justiceira bateu com o pé-de-cabra nas pernas do velho, que quebraram na hora. A criança saíra correndo.

Ela tirou a máscara e olhou para o velho, que a reconheceu e pela primeira vez temeu.

- Raimundinha, minha frô... faz isso não. – ele suplicou.

Raimunda, ou Isilda Pé-de-cabra pegou seu instrumento, e destruiu o cerne de toda a sua tristeza. Largou o velho sozinho. Ele morreu. Ela virou delegada.

1 comentários:

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.

Postar um comentário

About me

About Me


Aenean sollicitudin, lorem quis bibendum auctor, nisi elit consequat ipsum, nec sagittis sem nibh id elit. Duis sed odio sit amet nibh vulputate.

Popular Posts

Contact Us

Nome

E-mail *

Mensagem *

Navigation-Menus (Do Not Edit Here!)

My Instagram