O Menino que não podia morrer... Capítulo 25

sexta-feira, 15 de junho de 2012

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          O padre levou a mão para o rosto, que cheiro terrível. Entrou na casa. O rapaz atrás dele. Era um saguão amplo, e sobrenaturalmente escuro. Nada se via. Percebeu o padre que havia um castiçal alto próximo à porta. Acendeu a vela, e com um pouco mais de luz percebeu que havia muitos outros castiçais em todo o contorno daquele salão e havia algo muito grande no fundo. Parecia uma estátua.

          - O senhor está bem? - Perguntou o rapaz ao padre, quase gaguejando.

          - Psssss. Me ajude a acender as velas.

          - Não. O senhor fica com meu lampião. Sabe onde eu moro. – e partiu.

          O padre acendeu, com a ajuda do fogo do lampião, cada vela, dando a volta lentamente pelo ambiente inteiro. Havia uma estátua no meio. Ela tinha dois metros e meio, e era como um humano deformado. O rosto trazia uma boca grande aberta, com dentes pontiagudos, e dos ombros, um lado havia uma cabeça de sapo, no outro uma cabeça de gato. Todas malignas. Diante dele havia uma criança sentada com as pernas cruzadas.

          - Quem é você?

          - Eu sou quem você acha que sabe quem sou, mas não sabe. – respondeu em latim.

          - E o que eu não sei? – o padre seguiu em latim.

          - Quem eu sou. Sabe quem não sou. Mas não sabe quem eu sou.

          - Você é o diabo?

          - Isto é um ponto de vista. O mal é um ponto de vista. Um homem bom tem uma vida ruim que o torna mal, este homem mal ergue a espada para um bom, e você o surpreende, e o mata. Você o impediu do mal, mas não matou um homem mal, porque o homem nunca é mal. Você matou um homem bom que a vida tornou mal. Vê?

          - E o que você faz com uma criança?

          Era como se aquela estátua atrás do garoto fosse viva. Havia algo terrível vindo dela. E o garoto olhava para o padre sem piscar.

          - A criança fora libertada, porque assim quisemos, mas o homem é um animal fácil de domar. Quereis liberdade?

          - O que fazem com as crianças do abrigo?

          - Alicerces.

           - Elas são sacrificadas? – o padre teve medo.

           - Elas são o rebanho da nova era. Não te ponhas no caminho. Surpreender-vos-ei quando atravessares as fronteiras entre os mundos dos vivos e dos espíritos. Há verdades para as quais o homem não está pronto.

          - Não vou deixá-los matar as crianças. Mas só quem pede morte é teu pai. Quanto se mata por suas regras?

          O padre tirou do bolso aquela velha cruz exorcista. Os olhos do menino brilharam.

          - O Deus de meu Senhor Jesus Cristo é misericordioso!

          - Podre judeu, quis mudar o mundo e não foi mais que um fantoche daquele que quis desmascarar.

          O padre ergueu a cruz e foi se aproximando do garoto. Começou a rezar.

          - Ritual Romano, padre, é para aqueles que não sabem reconhecer-se no escuro.

          Um lustre surgira no ar, despencando diante do padre, que se jogou para traz. O chão da casa abriu-se num imenso buraco. Um vapor abafado dominou aquele salão escuro. O pó brilhava como uma névoa. O cheiro de podre estava mais forte. O garoto havia desaparecido.

3 comentários:

Phê Brito disse...

Bem, antes de tudo: eu preciso colocar em dia meu leitura contigo.
Mas indo a esse capítulo, como eu não li ainda os anteriores, pra mim, ele ficou com cara de que ainda teremos mais capítulos a serem lidos, rs.
A cabeça da gente faz cada coisa misteriosa. Acredita que com esse novo layout que você colocou, eu não consegui ficar impressionada com a figura do topo, assim como fiquei com os capítulos anteriores? Engraçado isso. Pra mim, fazia parte do texto essa imagem me dar uma "trilha" sobre o que você iria narrar.
Dessa vez, eu não consegui nem ficar com medo :/
Agora indo ao que realmente importa: eu juro que não esperava dar de cara com um padre na história e menos ainda, que teria um exorcismo.
Eu jurava que sua história tinha a ver com Aliens, rs, como já havia comentado contigo. Ou então, que fosse outro tipo de sobrenatural, indo pra um lado mais mitológico. Não que o diabo não seja mitológico, pois ele o é, mas aí, eu o veria como Hades.
Enfim, fiquei desapontada, mas cmg, por não ter conseguido acertar o rumo que sua história seguiu. Isso é pra mim parar com essa mania de que consigo saber o que as pessoas pensam, sentem e imaginam através do que elas escrevem ou conversam cmg.
É, sou prepotente LoL ha ha
bjo, Phê.

Alex Pedro disse...

Kkkkkkkkkkkk. Phê, eu ainda não terminei a história. Você ainda não pode saber aonde terminam os seus acertos. :)
Mas fico feliz que a história tenha tantas possibilidades assim.

Alex Pedro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.

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