O Menino que não podia morrer... Capítulo 27

segunda-feira, 2 de julho de 2012

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          As duas velhas haviam saído. Hortência tinha se recolhido. Gilmar tomava chá de gengibre e olhava de um menino para o outro. Ao lado de Laio havia um banco de três pés, e uma vela branca acesa. Silencioso, encarou aquela chama laranja e as sombras que ela, a única fonte de luz naquele ambiente, gerava. Abriu as janelas e tomou um susto. A luz da lua brilhou em seu braço. Seu punho parecia brilhar numa espécie de fogo branco. Intrigado, mas sem qualquer receio, caminhou até a vela e a apagou num sopro.
          O braço, que parecia nu, brilhava ao menor contato com a luz da lua. Gilmar resolveu puxar o menino que havia encontrado para o contato com a lua. Algo curioso aconteceu. Aquela poeira não se desprendera de sua mão, mas particular de pó que pareciam sair do corpo do menino brilhavam soltas no vento leve que vinha da janela, acima de seu corpo. Gilmar resolvera arrastar a cama, e tira-la de cima da gravação misteriosa.
          Do momento em que soprara a vela, ao momento em que tirara a cama do lugar, percebeu uma inquietação discreta em Laio.
       “Mikail?” Gilmar murmurou. Ele abriu os olhos. Gilmar ficou assustado. Mas não perdeu a calma. Aproximou-se, respeitoso.
          “O que está acontecendo?” ele perguntou, mas não recebeu resposta. O menino apenas o olhava concentrado, estudando cada poro do rosto do rapaz.
        -Cuidado pra não morrer! – ele disse olhando nos olhos de Gilmar, com seus olhos claros. Gilmar sentiu seu coração pulsar na testa, nas pontas dos dedos e na boca. O que deveria fazer?
          Ele se levantou, sem dizer palavra, e correu, em busca do rastro por onde as velhas podiam ter ido, guiado pela luz em seu punho, semi-oculta por uma camisa enrolada.

1 comentários:

Adilson disse...

Hoje li os capítulos 26 e 27, respectivamente. Confesso que foi uma leitura prazerosa (quando eu, professor de matemática ia poder dizer isso? rs). Acompanho essa história como se fosse uma novela e, fico ancioso a esperar pelos capítulos seguintes. O mistério instiga nossa (pelo menos, minha) imaginação, ao ponto de eu já ter me desligado do mundo e transpor cenas do conto para o momento real (experiência excelente). Acho que acertou a mão Alex e, espero ter uma cópia autografada quando você lançar o livro. Parabéns e, pena que parece está chegando o fim.

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