Paulão: A Lenda

quarta-feira, 4 de julho de 2012

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          Em algum lugar no interior da Bahia se escondia a distinta cidade de Itaxoxota do Norte. Povoada por dois mil habitantes, Itaxoxota era muito conhecida por pessoas afamadas pelas razões mais surpreendentes. Paulo Henrique Silva era um exemplo: dormiu com todas as mulheres da cidade e foi conhecido por casar virgem.

          O que as pessoas não sabiam era que Paulo Henrique simplesmente era um rapaz discreto, que gostava muito do cheiro que vinha das entranhas de uma fêmea. Mas Paulo Henrique não se importava com o que as pessoas pensavam então simplesmente não falava. Não contava vantagem. Comia e pronto.

          Aos treze anos, Paulo comeu sua prima Rosita. Fora sua primeira vez. Rosita tinha dezesseis, era rodada, mas nunca tinha visto um cacete daquele tamanheza. Ela gostou, ele também, e ele soube que tinha uma raridade entre as pernas. Não restava qualquer dúvida, Rosita repetia demais que o primo Paulinho era um Senhor Paulão, com “Z” maiúsculo.

          Paulão era, naquele tempo, magrelo. Não era muito bonito, mas não era feio não. Ele ficou intrigado. Nunca vira a bengala de outro homem para comparar. Resolveu procurar secretamente uma quenga da boate Dona Quixota. Nicinha viu aquele menino, e tentou despachá-lo. Ele disse que queria saber se o que tinha era grande, ela não quis dar atenção.

          Luxuriado pelo delicioso decote da puta, colocou a bengala para fora, meio dura, meio mole e ela exclamou.

          - Oh, mi’a noss’! Creindeuspai...

          Nicinha era mineira, mas sua história ficará para outro dia. O fato é: o mesmo tesão que ele sentia olhando para os peitões da mulher de quase trinta, ela sentira olhando para aquele instrumento de guerra do rapaz, e o colocou dentro do estabelecimento, escondido, e o levou pro quarto. Colocou na boca, na frente, colocou atrás, entre os peitos... No final, deu ainda alguns trocos para o menino.

          Paulo sentiu-se notável, e transformou-se, no objeto secreto de luxúria de muitas mulheres, de muitas idades. Aos quinze começou a fazer musculação na única academia da cidade, a “Hot Bahia”. Em um ano tinha ficado muito forte. Era um pouco alto. Virou a paixão secreta de muitas fêmeas que cruzavam seu caminho.

          Paulão não sonhava em achar a mulher ideal. Pra ele o mundo era feito de milhares delas. Ele era um leão de muitas fêmeas.  A verdade é que ele amava cada mulher que comia. Ela era a única fêmea do mundo enquanto rebolava sobre ele. Mas ele era uma força da natureza, não podia ser exclusivo. Embora...

          Embora cada mulher que tenha dado para ele acreditava que era fruto de uma experiência casual única e excepcional na vida daquele rapaz sério, responsável, gostosão, e muitíssimo bem servido. Paulão fora ensinado a meter pelas quengas mais requisitadas da Bahia! Não tinha como errar.

          Cacilda, moça crente e supostamente virgem, deu uma vez e ficou viciada. Não saiu do pé de Paulão, pobre rapaz. Acusava-o de ser cafajeste, sem se dar conta que o que o fazia ser cafajeste era o fato de que ela queria ser comida para sempre por ele. Não era ele que era cafajeste, ela é que era uma potranca no cio.

          Pegou uma camisinha, e estraçalhou-a com uma agulha de costura e colocou remédios para dormir e Viagra escondidos em uma bebida certa vez, no bar. Quem tomou foi ela mesma, e Adamastor, a comeu bêbada no bambuzal próximo ao centro da cidade. Ela engravidou. Ficou até feliz. Adamastor era afamado.

          Paulão não sonhava em conhecer uma mulher especial. Mas ele tinha um sonho. Algo até ingênuo e infantil. Paulão tivera infância, fora criança, e tinha televisão em sua casa, e ele era apaixonado por alguém que jamais viria a ter em seus braços. Paulão sempre tocou seu corpo pensando na Xuxa, e isto que o fazia carinhoso com suas presas: era a rainha dos baixinhos que ele acariciava e beijava quando fazia amor.

          Quando tinha vinte e sete anos, conheceu Raimunda. Uma mulata, loira, por quem acabou se apaixonando, e se casou, sem que restassem vestígios de mulheres com quem havia dormido, pois umas desconheciam as histórias das outras. Embora, em seu casamento, dezenas de mulheres choravam enquanto o viam no altar, esperando sua Raimunda, pensando que provavelmente jamais veriam aquela bengala outra vez.

3 comentários:

Rubens disse...

Alex, ótimo texto!! Me lembrou um livro do Sidney Sheldon, q li anos atrás...

Gosto da maneira como narra e os descreve, bem legal mesmo!! E fiquei curioso de saber da minha conterranea!! Quando escrever sobre ela me avise!!

Adilson disse...

Vaiiii Paulãoooo ! rsrsrs
Muito bom o texto.

Luis Gustavo disse...

Texto muito criativo, carregado de erotismo mas sem ser baixo! Muito engraçada a história!

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