D.I. Project - CAPÍTULO 2

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

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O ano é 2063.
A humanidade corrompeu-se às delicias do consumismo. Cheia de vícios por tecnologias, drogas sintéticas e fetiches sexuais, o homem caminha para sua fase mais obscura e superficial.


          Charles Cadogan era inspetor de polícia de Londres, do setor central. Naquela noite de 13 de outubro, havia sido convidado por seus filhos para comemorar o aniversário de sua esposa Sophie no restaurante Nonna Ambrosia. No entanto, Charles fora carregado de investigar o assassinado de Edwin Von Ancken.

          Havia visitado a cena do crime, e o que encontrara fora uma poça de sangue, um corpo completamente rasgado, picado, estraçalhado, e a faca sem nenhuma impressão digital. O assassino tinha feito algo para ocultar informações. Era profissional.

          No hotel, nenhuma gravação de câmeras de segurança para contar a história. O crime fora descoberto por uma denuncia, para o espanto do Inspetor Cadogan, da empresa que cuidava da segurança, e era justamente um representante dela, Johnson Rhymes, que o inspetor aguardava.

          A porta abriu ao som dos guizos de Sophie, e entrou Edouard, um oficial assistente.

          - Inspetor Cadogan, o Analista Sênior da Kidemonas, Senhor Johnson Rhymes acaba de chegar. Trouxe equipamentos para o senhor.

          - Hum, perfeito, mande-o entrar. – disse Cadogan.

          O oficial escancarou a porta, e gesticulou para que Sr. Rhymes entrasse. Era um homem de no máximo quarenta anos, gordo, bem vestido, e aparentemente, assustado.

           - Inspetor Charles Cadogan, - disse o homem estendendo a mão direita e cumprimentando o analista.  – Eu espero que o senhor me traga informações relevantes, caso o contrário sua companhia sofrerá conseqüências graves.

          - Inspetor Cadogan, com todo respeito, o senhor não está mais preocupado com isto do que eu estou. Vou contar-lhe como soubemos do homicídio.

          O homem antes de sentar, serviu-se de café. Havia uma preocupação alarmante na expressão comprimida do rapaz, embora ele parecia demonstrar um grande esforço para manter a calma e não perder a perspicácia.

          “O edifício Queen’s Sight é absolutamente seguro. É seguro desde o momento em que era um projeto ousado de parcerias entre banqueiros europeus, como no caso da Família Von Ancken, como de xeiques árabes e marajás. É um edifício para privilegiados. É um edifício para ser visto de qualquer cume da cidade de Londres. Fora construído para fins absolutamente ostensivos.

          “Com esta pretensão, minha companhia, Kidemonas, à qual faço parte há quatorze anos, ofereceu seu mais ousado e inteligente sistema de segurança. “Argos 3”. É nosso serviço mais caro, porque é o único que oferece extrema segurança, e equiparável privacidade.

          “Temos uma legião de homens capacitados que vigiam constantemente câmeras de shopping centers, e milhares de grandes resultados quer seja com delitos, quer seja violência, mas Argos 3 tem uma proposta diferente. Demanda uma mensalidade caríssima, para custear as despesas altas do equipamento e sua sigilosidade.

          Cadogan percebera, já de princípio, que o homem era apaixonado pelo que fazia, e acreditava em cada palavra que dizia. Sentia-se, evidentemente, útil.

            “Argos 3 se compõe em micro-câmeras de altíssima definição que capta imagens e as trata simultaneamente, reconhecendo gases, vapores, fluidos, e o mais importante: Temperatura.

          “Nosso sistema observa em tempo integral as imagens, e grava os menores acontecimentos. Argos 3 reconheceria uma barata. Neste momento a imagem começa a gravar. Um acidente noutro lugar estoura uma tubulação de gás, e o gás entra no campo da câmera, ela começa a gravar.

          “Alguns pormenores são irrelevantes, mas Argos três já impediu incêndios e radiações em áreas de risco que demandavam rigorosa segurança e restrição com imagens. As imagens não são vistas. A menos que seja necessário.

          O inspetor se levantou. Entediado.

          - Com todo respeito, Sr. Rhymes, sua tecnologia não me parece algo revolucionário. Criativo talvez, mas nada que mereça minha atenção, particularmente numa noite como esta. Seja objetivo ou serei obrigado a pô-lo para fora de minha sala.

          “Desculpe. Como disse, Argos 3 grava temperatura, e reconhece relação sexual, tensão, e o mais importância, violência. As imagens são traduzidas por um software inteligente que reconhece ira e medo. O sistema entra em alerta, e num caso extremo, como facadas, por exemplo, reconhece fluidos como sangue.

          - Fascinante! – exclamou inspetor Cadogan, sem conter a surpresa.

          “Exatamente. Sem que nós, humanos, tomássemos nota de que Edwin Von Ancken fora assassinado brutalmente, Argos 3 contatou a polícia. As imagens foram gravadas e armazenadas na mais absoluta segurança. São gravadas e registradas de modo aleatório para que não possam ser rastreadas, reconhecidas e vistas em seqüência.

          “Quando fomos avaliá-las, o Departamento de Segurança Contra Invasão da Kidemonas contatou o meu setor para dizer que arquivos de gravação e dados por extenso dos mesmos vídeos, estavam sendo apagados do sistema. Eu não estou preocupado com a morte de Edwin Von Ancken, inspetor Cadogan. Vim aqui por que quero abrir um inquérito. Porque nosso sistema é o sistema mais seguro do mundo, e alguém o invadiu.

          - Então não é o sistema mais seguro do mundo. – debochou o inspetor, pensando que a esta hora sua família comia pizza enquanto ele estava ali falando sobre uma maricona bilionária.

          - Definitivamente não. Inspetor. Argos 3 é, e continuará sendo impenetrável. Quero uma investigação, porque é impossível que quebrassem a encriptação, e algo muito pior que um mero assassinato esta sendo oculto aqui. Acho que alguém nos traiu.

         Isso sim era interessante. Os olhos enrugados de Cadogan brilharam neste momento.

         - A imagem primordial, do ato do assassinato, foi tudo o que restou, inspetor. E ela é assustadora. – disse Johnson, empalidecendo.

          Passou seu pen drive, uma caricatura de Darth Vader com uma espécie de unha para fora.

          Cadogan ligou ao seu monitor e viu, seminu, Johan Marx transformando o homem em pasta no chão da cozinha.

          - Este telefone... não está na cena do crime...          

1 comentários:

Adilson disse...

Bem-vindo de volta. Gostei desse capítulo, especialmente do último parágrafo.

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