D.I. Project - CAPÍTULO 5

domingo, 21 de outubro de 2012

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O ano é 2063.
A humanidade corrompeu-se às delicias do consumismo. Cheia de vícios por tecnologias, drogas sintéticas e fetiches sexuais, o homem caminha para sua fase mais obscura e superficial.




          Fora difícil despistar todos e sair sem que fossem percebidos. Johan acompanhou os oficiais sem perguntar demais. Johan não gostava de problemas com policiais ou políticos. E, ao chegarem discretamente no escritório de Charles Cadogan, no Departamento de Polícia, notou que era aguardado com certa apreensão.

          - Senhor Marx, o motivo de não ter dito nada até este momento – disse Cadogan, quando já estavam no escritório com porta trancada. – É que se trata de uma investigação cheia de pormenores complexos e, para isto, precisamos contar com sua discrição. – e mudou o tom, de trivial, para algo aparentemente ainda mais indiferente. - O senhor conhece Edwin Von Anken?

          - Conheci.

          - Hum... Conheceu ou conhece?

          “Droga”, pensou Johan.

          - Conheci, porque nunca tive muito contato. Esse velho asqueroso ofereceu um jantar a alguns modelos de uma agência para a qual trabalhei, e me assediou insistentemente.

          - Ele assediava apenas você, ou outros modelos também?

          - Ele assedia qualquer homem bonito que seja popular. Gosta de nos colecionar. Mas não transo com homem. Pra não dizer que nunca fiz, quando fui contratado pela minha primeira agência, fui amante do dono por um tempo. Mas apenas nesta ocasião. Tenho nojo. Disse isso para ele.

          Charles Cadogan levou sua caneca com café quente até a boca, tomou alguns goles, sem nenhuma pressa.

          - Como ele aceitava isso?

          - Da pior maneira. Ele é uma criança rica, feia, mimada. Tem tudo o que quer. Tudo sempre teve um preço, e mesmo aquilo que parece intangível para alguns, para ele são apenas alguns zeros a mais.

          - Então Edwin Von Anken lhe ofereceu dinheiro?

          Johan hesitou.

          - Sim, muitas vezes.

          - Quanto? – perguntou  Cadogan.

          - Isto tem mesmo alguma finalidade investigativa ou meramente uma invasão de privacidade, porque honestamente, não gosto de dar importância pra esse tipo de idiota.

          - É importante que eu entenda como Edwin Von Anken agia com relação à sua pessoa, Johan Marx.

          - Não, ele não agia, ele age, e vai agir sempre. Ele me acha irresistível. Se você faz questão de saber, ele me ofereceu quinhentas mil libras. Me senti ofendido. Se é para me tratar como um mero artigo de luxo, ele paga mais de 5 milhões em um carro, haveria de me dar o mesmo valor. Pois foi o que fez. Me ofereceu seis milhões de libras.

          O inspetor engasgou com o café, derramando na roupa.

          - Puta que pariu! E foi aí que você aceitou ser amante dele?

          - Claro que não! – exclamou Johan, parecendo ofendido.

          O inspetor pegou uma flanela pra apalpar o café na roupa.

          - Você quer que eu acredite que não aceitou 6 milhões de libras para dormir com alguém? Pela metade disso eu usaria até lingerie, senhor Marx.

          - Com merchandising, produtos sob licença do meu nome, tive este ano mais de 150 milhões de libras esterlinas de lucro. Não preciso transar com velhos mimados e carentes pra ter luxo, inspetor.

          Charles adorava essa sensação de olhar para um mentiroso sabendo da verdade. Era um prazer maior que até que a satisfação sexual.

          - O que acontece, Johan Marx, é que Edwin Von Anken fora assassinado há pouco mais de cinco horas atrás.

          Um silêncio sobrenatural se espalhara como a fina nuvem de fumaça de incenso que se dissipa pelo ambiente, impregnando seu perfume, bom ou ruim, em cada canto ou partícula contida no ar.

          - Edwin era idiota e tinha seus caprichos, mas porque alguém o mataria?

          - É exatamente o que eu gostaria de saber... – murmurou inspetor Cadogan como quem pensa alto.

         - Se sugere que eu pudesse ter algum motivo para matá-lo, inspetor McCallum, eu particularmente acho divertido dizer não a quem não sabe ouvi-lo. A Edwin Von Anken tenho apenas indiferença.

          O inspetor virou seu monitor lentamente e quanto mais Johan via, mais pálido ficava. No vídeo, um ângulo entranho, do alto, o mostrava apoiado numa parede, nu, com o traseiro empinado para trás e o homem com o rosto entre suas nádegas. Devorava-o vigorosamente. Com um toque da ponta dos dedos na tela, o inspetor mudou de imagem:

          Johan estava deitado, nu, inexpressivo, olhando para o rosto do homem que estava sentado sobre ele, empalado, rebolando alucinado sobre o falo do modelo. Inspetor Cadogan parecia intrigado em ver como nas imagens, o modelo parecia absolutamente indiferente ao prazer que proporcionava ao homem gordo sobre ele.

          - Então, Johan Marx, nunca teve nada com ele? – o inspetor perguntou, com um divertimento cínico.

          - Eu não falarei mais nenhuma palavra sem a presença de meus advogados. – Johan parecia mais enfurecido e enojado com as imagens do que ameaçado. – Eu jamais deixei que esse asqueroso encostasse em mim.

          - Hum, claro... – e tocou novamente na tela. O vídeo mudou. Johan estava estrangulando e esfaqueando Edwin Von Anken.

          “Como pude não ter chamado um advogado para me acompanhar a um interrogatório?” ele se perguntava ininterruptamente, olhando perplexo para as imagens.

          - ... O senhor realmente vai precisar de um advogado...

          Tiros, tiros e mais tiros dentro imensa delegacia.

1 comentários:

Adilson disse...

Hummm, estou achando que este Edwin transou com um Olograma... clone???? kkkk

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