D.I. Project - CAPÍTULO 6

domingo, 4 de novembro de 2012

| | |
O ano é 2063.

A humanidade corrompeu-se às delicias do consumismo. Cheia de vícios por tecnologias, drogas sintéticas e fetiches sexuais, o homem caminha para sua fase mais obscura e superficial.

                Ninguém percebera que aquela viatura que discretamente levava Johan Marx para o departamento de polícia era também escoltada por outros automóveis, escuros e desconhecidos. Quando Johan desceu do carro, no estacionamento ao redor do Departamento de Polícia, poucas pessoas que movimentavam o acesso dos fundos daquele sóbrio edifício de dois andares o perceberam, e isto lhe trouxera uma sensação de imenso alívio. Mas Isabel McClanahan, que estava em sua Range Rover, o notara.

                Temerosa e sem saber exatamente o que fazer, ela amassou seus cabelos num coque, ajeitou a gola de sua camisa social. Pegou um outro agasalho de moletom com capuz, números maior, e levou no braço. Como Johan, entrou no Departamento pelos fundos.

                Seu coração batia aceleradamente, como alguém que não tem certeza se está fazendo a coisa certa ou meramente seguindo uma diretriz. Ela entrou, e viu que Johan era acompanhado, inconscientemente escoltado, para o andar de cima.

                O Departamento de Polícia, embora fosse um edifício de apenas um andar acima do térreo, havia o subsolo, e o prédio em si era grande. Havia um átrio, logo após a portaria, e um amplo corredor com muitas portas para salas pequenas, e depois, um saguão com uma grande escada que levava para o andar superior. Não havia elevadores naquele edifício. Johan fora levado para cima.

                Por mais que se sentisse observada como uma possível intrusa, sua postura cínica a fazia parecer que sabia onde estava indo e quem procurava. Havia câmeras por toda parte e sua ansiedade a fazia sentir como se elas fossem vivas e a cheirasse de algum modo.

                No andar superior, a escadaria levava para um saguão cheio de cubículos e dois longos corredores nos cantos, que levavam a muitas portas nos lados extremos. Viu Johan Marx entrar em uma sala, e ficou ansiosa, passou por um cubículo onde estavam os outros dois oficiais que haviam chegado ao Departamento junto de Johan e o que estava na sala com ele.

                “Não, daqui ele vai direto pra lá e não sairá mais...”, disse um deles, “o modelão esfaqueou o velho, o gordinho estava aqui com uma gravação...”

                E Isabel seguiu andando. Sorte o alvoroço entre tantos oficiais que conversavam e pessoas que andavam para lá e para cá esperando receber algum tipo de assistência. Ela olhou para todo lado, e decidiu descer. Tinha que pensar em como iria tirá-lo daquele lugar.

                “Mas será que devo?”, ela se perguntava a todo o momento. Ele fora flagrado matando um homem. E se fosse um erro atender ao pedido daquela mensagem? Sua intuição lhe dizia para tentar. No andar inferior, no mesmo saguão em que havia a grande escada que levava ao andar de cima havia um bebedouro.

                Leigamente, ela disfarçou com o copo de plástico, tomando água e olhando para todos os lados. Ficou pensando na saída do estacionamento. Era menos vigiada por oficiais. Embora, todas soberbamente filmadas. Pegou seu celular. Acionou o motor de seu carro, e delimitou uma rota, para que o automóvel, no momento em que ela quisesse, surgisse em sua frente.

                Agora vinha o mais difícil, como fugiria daquele lugar com Johan Marx?

                Fora tirada de seus pensamentos com a chegada de um homem de um metro e oitenta e cinco, musculoso, vestido com calça jeans, sobretudo de couro e óculos escuros que passara pela entrada principal.

                - Com licença. Preciso encontrar Charles Cadogan. – disse ele na recepção, com cada vogal profundamente bem pronunciada.

                - Sobre o que seria? – perguntou o oficial encarregado do atendimento.

                - Preciso conversar com o oficial Charles Cadogan sobre assuntos de seu interesse. - disse o homem, com uma voz inexpressiva.

                - Qual seu nome? – o oficial perguntou já parecendo irritado com o tom indiferente do homem.

                - Preciso de Charles Cadogan. - repetiu sem demonstrar intenções em sua voz.

                - Qual é o teu nome?

                O homem puxou de um bolso uma beretta e deu um tiro na testa do recepcionista. Dois oficiais apontaram armas mas o homem, com uma precisão e rapidez extraordinários, acertou-os na testa.

                Isabel McClanaham, sem pensar demais, jogou-se no chão e teve poucos instantes para pensar no que fazer.

1 comentários:

Postar um comentário