Bem-Aventurada Maria Leoa

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

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Apresentação para meu curso de teatro. O texto é meu, é como Itaxoxota do Norte, mas Itaxoxota é na Bahia, esta aventura se passa na Paraíba. Espero que gostem. Depois eu coloco o texto integral pra ser lido. Faltou a primeira cena na gravação.

Leitura.

sábado, 17 de agosto de 2013

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Resolvi gravar um trecho inédito de O Menino que não podia morrer. Segue pra vocês.
Espero que curtam.

O milagre de Carlos

quarta-feira, 31 de julho de 2013

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     Carlos Varela, obcecado por mudar de vida, já tinha tentado de um tudo. Desde empregos formais, às mal-faladas pirâmides. Já encheu de hormônio sua horta pra ver se nascia uma abóbora gigante, ou qualquer coisa que fizesse chamar atenção. Mas nada dava certo. Já foi figurante em propaganda na televisão, já foi professor de informática, mas foi quando descobriu o marketing de rede que teve certeza de que sua vida mudaria.

     Era preciso apenas fazer um investimento de 50 mil reais, e seria o pioneiro no Brasil de um negócio vindo da Europa. Mas onde arrumar este dinheiro? Pediu aos amigos que te emprestassem suas poupanças, mas fora em vão. Todos o consideraram louco. Parecia fácil demais ficar rico da noite para o dia, e isso é impossível. Foi então que procurou um traficante de drogas.

     Sim, ele não podia perder esta oportunidade e tinha que arrumar dinheiro em algum lugar. “Manezão” era o dono da enorme favela que avizinhava seu bairro. Manezão arrumou o dinheiro, mas disse que em dois meses ele teria que pagar 80 mil reais. Lógico que Carlos aceitou. Não tinha erro. Ia vender o suco de uma batata que só nascia uma vez por ano no norte do Afeganistão e que, disseram-lhe, curava desde câncer até a própria Aids. Quem não tomaria isso?

     Bom, ninguém tomou.

     Carlos ficou desesperado. Manezão disse que ia “apagar” toda a sua família. Em pânico, ele correu para a igreja rezar. Por mais que fosse protestante, pediu para Santo Expedito, conhecido por solucionar as causas impossíveis, que lhe orientasse. Eis que na saída da igreja ele viu uma loteria. Num impulso de autoconfiança, pegou seus últimos cinco reais e comprou um bilhete. Voltou na igreja.


     “Meu Santo Expedito, se eu ganhar na loteria doo um rim!”, ele disse, com os punhos fechados, espremendo os olhos num ato de profunda devoção.

     Ganhou. 

     Com alguns milhões na conta, Carlos ficou feliz. Pagou suas dívidas, e percebeu que era requisitado. Sabia que as pessoas eram interesseiras, mas gostava de ajudar. Mas gostava de ajudar porque gostava de ser visto como bom, generoso e humilde. Essa fama de humildade e desprendimento o deixava feliz.

     Foram preciso 3 anos para que seu dinheiro acabasse. Teve um câncer em um dos rins. Por descuido ou má vontade, esqueceu-se... Ou não quis mais doar um de seus rins como havia prometido para o santo.

     “Ah, que sofrimento atroz”, dizia ele. Não é fácil ficar rico fácil. Nem é certo dar tudo o que tem por fama de generoso. No final das contas, todos os amigos que surgiram na riqueza tinham sumido. Sem nenhuma expectativa em sua vida, Carlos decidiu escrever uma autobiografia.

     Ela vendeu 250 milhões de cópias no mundo, fora traduzida em 34 idiomas e virou um filme que dirigido por Fernando Meireles. Evidentemente, Carlos ficou rico outra vez. Não mais humilde, mas mais sábio que da outra vez.

O discurso

sábado, 6 de julho de 2013

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- Tic tac,  - disse o relógio. Era aquela a sua língua desde que surgira no mundo. -  Tic-tac, tic-tac, tic-tac.
Entendera o rapaz que, apesar de sua língua extremamente primitiva, o relógio carregava intensões e expressões em seu discurso.
“Tic-tac-tic-tac-tic-tac.”
Estas dezoito letras, devidamente traduzidas por sua mente hábil diziam.
“Cuidado com os exageros. A ansiedade te faz cometer erros, mas, tic-tac, tic-tac, o tempo está passando, e você tem que correr atrás do que você deseja”

TRAILER: Sentidos ou Percepções

segunda-feira, 10 de junho de 2013

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Segue o trailer do filme "Sentidos ou Percepções?", documentário do qual, com muito orgulho, sou roteirista.


Essa semana eu trarei um conto novo de Itaxoxota do Norte, pra ver se desenferrujo, rsrs.

Nossos caminhos foram diferentes.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

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A gente se surpreende em como descobrimos seres humanos em circunstancias mais improváveis. Nos surpreendemos ainda mais quando descobrimos seres humanos frágeis escondidos dentro de uma montanha, e mais ainda, quando descobrimos que, após alguns anos em que o contato se havia perdido, a pessoa havia partido deste mundo. Mas o importante, já sabemos, é o que fica. Lembranças de conversas breves, risos, e tentativas de se desenvolver uma amizade com uma empatia irresistível, mas um conflito de assuntos difícil de se superar.
O tempo voa, é verdade, mas suas penas, graciosamente caem no caminho para que possamos carinhosamente preservá-las.
Fique com Deus, P.C.F.

DRAMATURGIA: A vida e obra de Elenilce Bataglia

domingo, 17 de março de 2013

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Elenilce: A gente tem tantas lembranças, mas quando alguém pede pra contarmos nossa história, a gente costuma não saber por onde começar. Eu sei muito bem por onde começar a minha.
Entram o Pai e o Jardineiro
Pai: Filhinha, ta na hora de eu te arrumar um marido.
Elenilce: Para?
Pai: Ué, para ter uma família.
Elenilce: Tenho vocês.
Pai: Filhos...
Elenilce: Tenho sete sobrinhos, e sou madrinha de quatro.
Pai: Bom, precisa garantir seu sustento...
Elenilce: Ah, papai. O senhor é o terceiro homem mais rico do Brasil.
Pai: Hum... Sexo?
Silêncio.
Jardineiro: Dona Elenilce, eu preciso cuidar do jardim. Já não é mais o mesmo desde que a senhora voltou pra esta casa.
Elenilce: Ah, só uma vezinha.
Jardineiro: (gemendo) Ah, como você é gostosa...
Pai: Então, o que me diz, filhinha? Vai querer continuar a titia-solteirona-virgem por quanto tempo?
Silêncio. Ela e o Jardineiro riem.

Elenilce: Prometo que vou pensar com carinho, papai.
Entra a Mãe.
Pai: Falei com ela, ficou assustada quando perguntei se queria continuar uma solteirona virgem.
Mãe: Meu Deus, ele realmente pensa que ela é virgem. E ela, querido, o que nossa filha decidiu?
Pai: Vai pensar com carinho...
Elenilce: Com mais força... Puxa o meu cabelo, bate na minha bunda... na minha cara... Bate! Droga, porque você não me bate?
Jardineiro: Não consigo bater em mulher, dona Elenilce.
Elenilce: Tá, cala a boca e continua metendo.
O Jardineiro sai.
Mãe: Filha, você fica dando pro jardineiro, se seu pai descobrir, demite o rapaz.
Elenilce: A senhora diz isso porque não sabe o que ele tem entre as pernas.
Mãe: Você é que pensa...
Elenilce: O que disse?
Mãe: “Se é o que pensa”. Ora, Elenilce, tome vergonha na sua cara. Seu pai não tem que pagar por seus sapatos ou... suas carreirinhas. Ta na hora de arrumar um marido. 
Elenilce: Sempre tive medo de casar. Se você namora, não gosta do pau do cara, ou ele tem pouco dinheiro, você termina e arruma outro, mas casamento...
Pai: Fi-lho-ta! Te arrumei um marido.
Elenilce: Meu Deus...
Pai: Um rapaz bonito. Até um pouco atlético.
Elenilce: Interessante...
Pai: Muito rico. Estuda pra ser um diplomata, Ninguém acredita que virá a sê-lo algum dia, mas quem liga?, herdou cinco fazendas, e ganha uns cinco milhões por mês com elas. E a família quer vê-lo casado!
Mãe: É gay.
Pai: Bons modos, gentil.
Mãe: A família dele inteira sabe que ele deu pro filho mais velho dos Martinez e Alvarenga, mas como ele não é lá de muita personalidade, ta com medo de decepcionar a família, que faz de conta que não sabe que ele é veado.
Elenilce: Que merda...
Pai: Então?
Silêncio.
Elenilce: Ora, papai, preciso conhecê-lo, sem compromisso, pra ver se tem química.
Entra o Junior, o noivo.

(CONTINUA)

D.I. Project - Capítulo 8

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

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O ano é 2063.
A humanidade corrompeu-se às delicias do consumismo. Cheia de vícios por tecnologias, drogas sintéticas e fetiches sexuais, o homem caminha para sua fase mais obscura e superficial.




                Johan correu encolhido para passar despercebido pelas pessoas no meio do caos. No estacionamento, acompanhou o desconhecido entrando em uma van. No estacionamento, Johan acompanhou o homem em uma van que passara rapidamente e correram. Alguns policiais deram tiros, mas no caos de gente que gritava, não os seguiram. Exceto por Isabel, que havia entrado em seu Range Rover.

                Dentro da van estavam dois homens. Além de Johan e de seu salvador.

                “Eu sou Siegfried, a seu dispor”. Disse o homem. “Estes são X e Y.”

                X estava num banco de frente para Johan e Siegfried, enquanto Y dirigia o automóvel.

                - Hum. X e Y. E como sabia que a polícia viria a meu encontro, como sabia que...

                De repente foram surpreendidos com um clarão. Atrás deles, no fundo, o prédio do departamento de polícia havia explodido.

                O olhar de Siegfried brilhara com uma satisfação curiosa vendo a explosão pelo vidro da van.

                “Há uma trama complexa da qual pouco sei, e não poderia dizer nada. Apenas executo tarefas”.

                - E quem pode me dizer o que está acontecendo? – indagou Johan à Siegfred enquanto encarava X e Y.

                - Infelizmente, por hora, nossa única função é leva-lo até a pessoa certa.

***

                Seguindo de maneira discreta, estava Isabel, perguntando-se de Johan sabia onde e com quem 
estava. Estava angustiada. Sabia que corria riscos. E não tinha idéia se Johan Marx era ou não um criminoso.

***

                Bem atrás, alguns minutos antes, antes que o prédio explodisse, Charles Cadogan dava socos e chutes na porta enquanto gritava maldições. A porta se abriu de fora para dentro. Era Edouard. Lá no fundo do corredor, descendo as escadas, estava o homem, carregando sua pistola. Edouard puxou Cadogan pelo braço e saíram na lateral do prédio.

                O homem pôs-se a correr atrás deles.

                - Ele estava perguntando sobre você, Charles... – disse Newton McTaggert, um oficial, abrindo a porta de um carro. – Se eu fosse você, fugia daqui pra não... – TUM.

                Um projétil atravessara a testa de McTaggert, e ele despencou com a cabeça no capô do carro. Charles entrou no carro do oficial morto, ligou o botão da ignição e, acompanhado por Edouard, fugiu.

                O assassino derrubou um rapaz de uma moto no meio da avenida e a pilotou seguindo os oficiais.

***

                X e Y carregavam uma arma.

                - Pra que isso? – perguntou Johan.

                - Segurança. – dissera X, entregando um cartucho vazio a Y.

                - Quero mijar. Parem o carro. – disse Johan, indiferente.

                - Não é seguro. - Siegfried disse com uma simpatia falsa.

                - O pior que pode acontecer é eu morrer, e disso eu não tenho medo. – disse ele, indiferente.

             - Isto torna tudo mais fácil... - disse X. Em uma questão de milésimos de segundos, Johan percebeu que X havia falado mais do que devia e, com isso, enfurecido Siegfried. Tomando conta de que havia feito merda, X apontou a arma para Johan, que a chutou e o tiro saiu pelo vidro. Começaram a brigar. Johan era muito grande, forte, e embora ninguém soubesse, era capoeirista e um grande boxeador.

               Do lado de fora, Isabel vira o tiro perfurando uma janela da van e, sem pensar demais, acelerou o carro, batendo violentamente contra o automóvel aonde o conflito acontecia.

                - QUE PORRA É ESSA? – gritou Siegfried, que segurava uma fava e duelava com Johan, que com um braço segurava X pelo pescoço, e com o outro, segurava o punho de Siegfried.

                E o carro fora novamente batido. Johan sufocou X com seu braço, e pulou em cima de Siegfried, dando-lhe socos. E Pegou a arma e a pôs na cabeça de Y, que parou o carro. Johan dera um soco na cabeça, que o desacordara. Pulou para fora da van.

                - JOHAN! – gritou Isabel. Entre rápido.

                Ele hesitou. E então chegou próximo do carro.

                - Por que deveria?

                - Não sei. – disse ela, com um olhar assustado, dividindo o mesmo medo que ele sentia. Ele entrou e ela partiu cantando pneus.

D.I. Project

sábado, 2 de fevereiro de 2013

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AINDA HOJE UM NOVO CAPÍTULO


O destino de Henrique

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

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Henrique estava preso fazia nove meses e estava ansioso com a chegada do natal. Não estava feliz por ver sua família. Mas havia sido incumbido de realizar uma missão: assassinar um policial. Esta era a regra que teria que obedecer para integrar a facção criminosa de São Paulo, o PCC, e com isto, não ser assassinado dentro da cadeia.

                Henrique fora preso por matar um rapaz de dezenove anos por vingança. Cresceu na Brasilândia, bairro da periferia de São Paulo. Aos dezesseis anos conheceu Helena, com quem teve um filho, Marcos. Quando Henrique completou vinte e dois anos, seu filho tinha cinco.

                Ao contrário do que pensaria qualquer pessoa que ouvisse sua história, Henrique era um rapaz de boa família, classe média baixa. Vivia em casa própria, num bairro humilde, mas um bom bairro. Tinha uma motocicleta, e era com ela que ele estava na noite em que uma tragédia se abateu sobre sua família:

                Ele voltava do trabalho, por volta das dezenove horas, quando foi detido pela polícia, pois sua rua estava interditada. Um bandido estava em um bar, usando uma criança como escudo para fazer ameaças aos moradores. Jamais entendeu a história.

                Havia apenas uma viatura policial naquele momento, e o bandido cortou o pescoço do menino, largou-o no chão, e correu. E ele corria feito um animal que foge de um predador. Alguns tentaram segui-lo, como policiais correndo na viatura. Mas ninguém como Henrique.

                 Quando chegou perto de seu filho, o menino já estava inconsciente. Ele pegou a mesma faca, e correu até sua moto e começou a perseguir.

                Onde acabava o bairro, a favela começava. Lá estava ele, no encalço do bandido, como nem a polícia poderia alcançar. Passou com a moto por cima dele, e então desceu dela. Inconsciente pelo próprio ódio, ele deu uma única facada no coração do rapaz. E a policia surgiu neste momento, e o levou para a delegacia.

                Ao contrário do que pensava, os policiais e o delegado não o trataram mal, e no decorrer do processo, foram categóricos em justificar a insanidade do momento, e isto diminuiu sua pena para poucos anos de reclusão. Mas na cadeia a história fora bem diferente.

                O menino que ele matara era um membro da facção. Um membro irrelevante, percebeu Henrique, mas era um peão na obra do “partido”, e ele teria que substituí-lo. Com o mérito de seu bom comportamento, fora tranquilamente confiado a sair para passar o natal com sua família. Mas seu primeiro compromisso seria ligar à cobrar para um determinado telefone e receber as coordenadas.

                Recebeu um endereço onde um policial vivia, dinheiro e uma motocicleta, para matar e ir embora. Ali ele esperou, com medo, pela chegada do policial. Quando isto aconteceu, ele descobriu se tratar de um dos policiais que o defenderam na morte do assassino de teu filho. Ele deveria matá-lo, ou ele próprio morreria.

                Ele tinha as mãos nos bolsos, e num dos bolsos de seu moletom, um revólver carregado. O policial desceu do carro com um menino pequeno. Henrique puxou o martelo de sua arma, e começou a suar. Matar o assassino de seu filho no calor do momento poderia torná-lo capaz de ser indiferente aos outros, como haviam sido com ele próprio?

                O policial o viu e Henrique sorriu. Largou o revolver e desceu da moto. Cumprimentou-o, e agradeceu por tudo. O policial achou aquilo estranho, mas o abraçou. Henrique partiu para a casa de sua família.

                Fora uma noite feliz. Sua última.

O Conto da Vingança

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

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Havia duas crianças que viviam no meio de um bosque. O bosque estava próximo de uma cidade pequena, e todos sabiam que as crianças ali viviam, e nada faziam por elas.

Em tempo: as crianças estavam mortas. Mortas eram as duas crianças que viviam naquele bosque escuro em que as pessoas não ousavam entrar, porque tinham medo.

Viviam, diziam uns, permaneciam, diziam outros, e outros iam além, dizendo que “assombravam”. Pois que aquelas duas crianças, um menino e uma menina, eram transparentes e, embora não envelhecessem, pareciam interagir com uma rotina sobrenatural bastante curiosa: a menina parecia possuir dons de cura, pois era vista geralmente tratando animais desafortunados que se feriam, ou que fossem molestados por seu irmão.

Sim. Embora seja de conhecimento de muitas pessoas que espíritos não possuam habilidade de interferir no chamado “mundo material”, aquele menino conseguia agarrar pássaros e quebrar suas asas, atirar pedras e dar pauladas em pessoas que encontrasse, sem que nada pudesse causar-lhe quaisquer tipos de injúria.

Por isto é que “viviam” no bosque.

Perguntas não faltavam sobre eles. Ninguém nunca soube quando é que chegaram no bosque, e se ao chegarem ali, já fossem aberrações da natureza ou crianças comuns, pois suas vestes não asseguravam a ninguém um palpite de uma época: estavam nus. Pareciam índios, exceto pelos olhos azuis.

Seus olhos, ao contrário do resto do corpo, não eram transparentes. Eram de carne viva, e flutuavam sinistramente encarando quem os encontrasse. Mesmo os olhos da menina. Apesar de haver bondade em seus gestos, ela carregava no semblante uma expressão odiosa e ainda mais sinistra que a indiferença crapulosa do menino.

Certa vez um garoto da cidade, já adolescente, perdera-se pelo bosque. Teve o infortúnio de encontrar o menino pelado. O menino, sem muita dificuldade surpreendera o adolescente e lhe arrancou os braços. O adolescente sangrou muito, mas a menina o encontrou e o curou.


Grato, o menino lhe trouxera frutas. Ela as recebeu com suspeição. Em pouco tempo, tornara-se um hábito ofertar-lhe frutas. Semanalmente estava o garoto da cidade ali para lhe trazer presentes até que, certa vez, a garota permitiu que suas mãos, que antes lhe atravessavam, conhecessem a textura de sua pele.

O adolescente acariciou-a apaixonadamente, e a profanou, rasgando suas entranhas com brutalidade. Acuada em meio ao choque, não conseguiu retomar sua forma imaterial, e entre seus gritos, fora sufocada. Ele apertava seu pescoço.

O rapaz não fora grato por ela ter-lhe recolocado os braços. Sentia ódio das crianças e foi assim que chegou-se ao ensejo de sua vingança. Enforcou-a até a morte, atraindo o outro menino, que tentou dar-lhe pauladas na cabeça, mas o garoto da cidade percebera que no instante em que era agredido, o corpo do menino do bosque tornava-se derrotável.

Puxou-o pelo pulso e enfiou um estilete nos dois olhos  do menino do bosque, e depois rasgou suas bochechas, deixando à mostra a boca arreganhada da criança. Seus gritos agonizantes, inaudíveis para o menino cujo ódio ensurdecia, não deixaram-no notar que a menina, com sangue escorrendo pelas pernas, havia pegado um tronco fino e rígido e empalara, num golpe rápido, o garoto da cidade, que caíra no chão, violado, ferido e aterrorizado.

Enquanto o menino tirava o galho de seu cu, a menina curava seu irmão. Os dois em pé, vigorosamente transparentes, observaram o jovem gemer no chão, chorando, violado, despido. Com o canivete, o menino do bosque fez um corte profundo no pescoço do garoto da cidade, que sangrou até que seu coração parasse de bater. Ninguém jamais o encontrou.

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Um ano de "O Menino que não podia morrer"

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

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Há um ano atras eu publiquei neste blog o primeiro capítulo do conto "O menino que não podia morrer". Havia começado pensando que terminaria em doze capitulos, sintetizando uma idéia relativamente simples, e o que aconteceu foi que acabou se tornando quase um romance.

Um ano depois, eu to aqui pra aproveitar e dar uma notícia pra quem acessa o blog, e gostou da história. Estou revisando, e trabalhando melhor muita coisa que não soube aproveitar naquela ocasião, e está se tornando, devidamente, um romance do qual eu sinta muito orgulho.

Aproveito também para compartilhar algo. Para fazer esta revisão, eu converti a história para o formato Epub, para que eu pudesse ler em um tablet, com a vantagem de um livro impresso, para depois re-escrevê-lo. E estou aqui para compartilhar isso com quem mais quiser.

http://omeninoquenaopodiamorrer.4shared.com

E quero deixar um pedido a todos que visitam este blog. Eu preciso voltar a produzir mais, porque hoje tenho leitores que se interessam pelas minhas idéias, mas confesso que por uma série de fatores, acabo fazendo bem menos. Escrever um texto que as vezes leva três minutos para ser lido pode muitas vezes me tomar um dia inteiro. É desistimulante ter contar para pagar e criar, enfrentando a vida de uma pessoa normal, fazendo coisas que as pessoas normais apenas apreciam. Meu pedido é até simples: Compartilhem!

Escrevi poesias, cronicas sobre problemas sociais, contos repletos de humor negro, outros de terror e suspense. Sempre tem alguma coisa que um amigo seu pode gostar. Então, indiquem. É o que peço de presente de natal atrasado.

Quanto a revisão, a idéia é que seja um livro para publicar por alguma editora, então, se for para obter lucro com meu trabalho, acho justo me dedicar ainda mais para fazer um acabamento que, escrever e publicar, capitulo por capítulo, não me permitia fazer.

E tem D.I. Project. Desculpem pelo imenso atraso em publicar novos capítulos. Isso vai mudar. Esse fim de semana eu retomo o ritmo.

Um forte abraço a todos, e um 2013 maravilhoso, repleto de boas oportunidades, conquistas, e amadurecimento.

Alex Pedro

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